Identidade Profissional | 04-06-2024 10:00

António Gonçalves repara autocaravanas e adora viajar nelas

António Gonçalves repara autocaravanas e adora viajar nelas
IDENTIDADE PROFISSIONAL
António Gonçalves cresceu na Subserra, Alhandra, e tem a empresa instalada no Carregado, concelho de Alenquer

António Gonçalves começou a sua vida profissional a trabalhar como canalizador mas foi a reparar autocaravanas que encontrou a sua verdadeira vocação. Com muitas horas de sacrifício transformou essa paixão num negócio de sucesso e tem hoje uma grande lista de espera.

Poucas coisas dão maior sensação de liberdade ao empresário António Gonçalves do que viajar de autocaravana sem destino, parando à vontade do motorista, como num hotel sobre rodas, da praia à montanha, em qualquer altura do ano. Viajar de autocaravana é um encanto que há 16 anos arrebatou o coração de António Gonçalves, de 47, dono da AG Reparação e Transformação de Autocaravanas do Carregado, concelho de Alenquer.
António Gonçalves passou a sua infância na Subserra, Alhandra, concelho de Vila Franca de Xira, mas a vida acabou por levá-lo para o Carregado. Quando era pequeno sonhava ser de tudo um pouco. “Se me desse para ser cantor teria sido cantor. Ou piloto. Era um rapaz sonhador e a minha mente pensava em muita coisa. Quando o meu pai me perguntou se queria ir trabalhar ou estudar decidi ir trabalhar e comecei por ser canalizador”, explica a O MIRANTE. Foi a essa profissão que se dedicou em pleno até rebentar a crise económica em 2010. “Estava saturado do que fazia e tive o azar de ter um sinistro na minha autocaravana. Senti muitas dificuldades em encontrar quem a conseguisse reparar e como já gostava muito de autocaravanas, e já fazia trabalhos nas minhas e nas caravanas de alguns amigos, acendeu-se a lâmpada. Percebi que adorava isto e era o que queria fazer”, recorda.
Começou o negócio sozinho, passo a passo, encomenda a encomenda, primeiro a ocupar uma oficina pequena, depois a comprar um armazém maior, até chegar à empresa que tem hoje, num pavilhão com 500 metros quadrados (m2) e outros 2.500m2 de parque útil no exterior e cinco empregados. A procura pelos seus serviços é tanta que tem hoje uma lista de espera de clientes de todo o país que o procuram. Com a aproximação do Verão a procura pelos seus serviços aumenta. “Nunca tive medo de me lançar no próprio negócio. Sou uma pessoa que quando mete qualquer coisa na cabeça tem de a fazer. Empenhei-me totalmente neste negócio e nesta paixão. Um negócio só cresce se nos empenharmos a fundo nele. Ou damos tudo ou morremos na praia”, explica a O MIRANTE.

Jovens precisam de aprender
Para o empresário, o negócio até poderia crescer mais mas não esconde ser uma pessoa que gosta de ter tudo feito com perfeição e isso só acontece com uma equipa profissional que saiba trabalhar. “Podíamos contratar mais gente mas é difícil encontrar pessoal que saiba trabalhar, tenha gosto e vontade. É muito difícil. Tento sempre ajudar todos os clientes que nos procuram e temos aqui trabalhos que podem durar vários meses. Mas faz falta aos adolescentes de hoje aprenderem profissões técnicas como antigamente. Hoje não há torneiros mecânicos, electricistas de automóveis, nada. Olho para o meu futuro e penso o que vai ser de mim vendo esta geração que está a crescer”, teme.
Na AG repara-se tudo nas autocaravanas, da carroçaria à pintura, torneiras, interiores, estrutura, etc... “Aqui uma caravana pode ficar nova se o dono quiser”, explica o empresário, que já chegou a recuperar totalmente caravanas antigas que tinham um valor sentimental para os donos. Sempre que consegue, António Gonçalves prefere reparar o material de origem do que colocar novo, mesmo que isso lhe dê menos lucro. “O nosso lema é que se algo está velho ou estragado pode ter viabilidade de ser reparado. Se tiver de aplicar uma peça nova coloco-a, mas tentamos sempre reparar. Sai mais barato para o cliente e ajudamos a preservar o ambiente”, conta.

“Damos nova vida a estes carros”
A sensação de liberdade de uma estrada aberta é o que mais apaixona António Gonçalves. As autocaravanas são para ele o veículo por excelência para passar férias. A maior viagem que fez durou três semanas e levou-o num percurso pela costa portuguesa, espanhola e francesa até acabar em Florença, Itália. “Foi espectacular”, recorda o empresário, que ultimamente viaja sobretudo para Espanha.
Confessa dormir com a empresa e reconhece que com a elevada carga fiscal não é fácil ser empresário em Portugal. “Implica muito desgaste físico e psicológico mas temos de conseguir”, lamenta. O que mais gosta de ver é o antes e o depois de um trabalho. “Damos nova vida a estes carros. Perdemos muitas horas, por vezes são semanas de volta de uma situação. Mas depois vemos como ficou, vemos o sorriso dos clientes e sabemos que conseguimos. Agradar a quem nos procura é o melhor lucro que podemos ter”, conclui.

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