Eduardo Fortes: um funcionário público apaixonado pelo futebol
Eduardo Fortes assumiu o comando da equipa sénior de futebol do União de Tomar já com a época em andamento, numa altura em que o clube procurava estabilidade. Aos 57 anos, divide a sua vida entre a orientação técnica da equipa e as funções na Câmara de Tomar, onde é responsável pelos campos de futebol da cidade.
Aos 57 anos, Eduardo Fortes continua a viver o futebol com a mesma intensidade de sempre. Regressou esta época ao comando da equipa sénior do União de Tomar depois de, à sexta jornada, ter sido desafiado a assumir um grupo que procurava estabilidade. A entrada foi positiva, com três vitórias consecutivas a devolverem confiança, mas a temporada tem sido marcada por circunstâncias atípicas, com jogos adiados devido às intempéries. “Não é benéfico para ninguém quebrar o ritmo competitivo, mas acredito que tudo vai normalizar”, afirma com serenidade, sublinhando que a equipa estava num percurso “razoável” antes das interrupções.
Filho de um histórico jogador e treinador do União de Tomar, cresceu entre balneários, relvados e conversas sobre jogos. O pai (António Eduardo Fortes - Totói) representou o clube quando este jogava nas 1.ª, 2.ª e 3.ª divisões nacionais e foi também um dos fundadores da Escola de Futebol de Tomar. “Só se vivia futebol em casa. Era inevitável que eu criasse esta paixão”, recorda. O pai, falecido há cerca de cinco anos, deixou uma marca profunda na cidade e deu nome ao Estádio Municipal de Tomar, uma homenagem que a família recebeu com emoção e gratidão.
Natural de Tomar, onde nasceu e cresceu, Eduardo Fortes teve uma infância que descreve como feliz, dentro das possibilidades da época. Estudou na cidade até ao 12.º ano, embora tenha interrompido os estudos numa fase mais difícil da vida familiar, quando o pai deixou o futebol profissional e os rendimentos diminuíram. Nessa altura optou por começar a trabalhar, regressando mais tarde à escola para concluir a escolaridade. Trabalhou vários anos num armazém até cumprir 17 meses de serviço na Marinha. Pouco depois ingressou como funcionário na Câmara de Tomar, onde se mantém há cerca de 27 anos.
Começou no futebol como jogador e foi precisamente num clube onde jogava, o Alcaravela, que deu os primeiros passos como treinador sénior. Ao deixar de jogar, assumiu o comando técnico da equipa e, após essa experiência, recebeu um convite para orientar o União de Tomar, onde permaneceu seis épocas. Seguiram-se cinco anos no Ferreira do Zêzere. Após uma breve pausa, regressou ao activo para treinar o Torres Novas, permanecendo três temporadas no clube antes de regressar agora a Tomar.
Com quase 20 anos de experiência como treinador, acredita que a liderança se constrói com respeito, exigência e proximidade. “Tenho deixado boas amizades por onde passo”, diz. Defende que a pressão faz parte do cargo e que é inerente a quem trabalha com o objectivo de vencer. “Quando não se ganha, a pressão aumenta. Faz parte. Trabalhamos para ter resultados e quando eles não aparecem temos de fazer mais e melhor”, afirma. A experiência, acrescenta, trouxe-lhe maior capacidade para gerir conflitos e lidar com diferentes personalidades dentro do balneário.
Um dos desafios actuais passa pela relação com os jogadores mais jovens. Reconhece que as gerações mudaram e que nem sempre é fácil transmitir valores como disciplina, respeito e saber estar. “No meu tempo era impensável certas atitudes. Hoje temos de saber comunicar de outra forma e, por vezes, recorrer aos mais velhos para fazer a ponte com os mais novos”, explica.
Responsável pelos campos de futebol da cidade
Paralelamente à carreira desportiva, construiu um percurso na função pública. Durante 22 anos desempenhou funções na portaria da Escola Nuno Álvares Pereira, um trabalho que recorda com especial carinho. “Foi muito gratificante. Fiz parte do crescimento de muitos jovens que ainda hoje me cumprimentam com amizade e carinho”, conta, orgulhoso das relações que criou com professores, alunos e funcionários.
Após o falecimento do pai, foi convidado pelo então presidente da autarquia a integrar a Divisão de Desporto e a assumir funções no Estádio Municipal, que passou a ter o nome do progenitor. Aceitou o desafio, apesar de ser uma realidade diferente da escola. Actualmente é responsável pelo estádio e pelos campos de futebol da Nabância e do Instituto Politécnico de Tomar, assegurando diariamente que estão reunidas as condições para a prática desportiva.
Muito conhecido na cidade, Eduardo Fortes admite que gosta do contacto directo com as pessoas. “Praticamente não há pessoa em Tomar que eu não cumprimente”, diz, valorizando o carinho que sente no dia-a-dia. Casado e pai de um filho de 27 anos, veterinário do Exército, assume que a família é o seu maior orgulho e a sua principal ambição. “Quero ver o meu filho bem, estabilizado e feliz”, sublinha. Considera-se um homem simples, bom colega e amigo.


