Identidade Profissional | 01-04-2026 21:00

Nuno Ferreira construiu uma empresa com espírito de equipa e sem se sentir patrão

Nuno Ferreira construiu uma empresa com espírito de equipa e sem se sentir patrão
IDENTIDADE PROFISSIONAL
Empresário de Alpiarça lidera equipa com base na proximidade e confiança - foto O MIRANTE

Nuno Ferreira começou a trabalhar em electricidade aos 12 anos, criou a própria empresa e lidera hoje uma equipa de mais de uma dezena de pessoas, num sector onde a rapidez e a confiança fazem toda a diferença. Admite que não nasceu para ser patrão e valoriza a humildade e o profissionalismo na relação com os funcionários.

Começou a trabalhar aos 12 anos, numa altura em que a vida não dava muitas escolhas, e foi nesse contacto precoce com a electricidade que Nuno Ferreira, hoje com 51 anos, encontrou o caminho que nunca mais largou. Actualmente à frente da Nuno Ferreira Automatismos, em Alpiarça, construiu uma empresa sólida na área dos sistemas de rega e automação, mantendo a humildade que sempre o caracterizou.
O seu percurso foi consistente. Depois de passar pela Escola Militar de Electromecânica, começou a trabalhar na empresa Lagoalva, onde esteve cerca de 15 anos e ganhou experiência. A decisão de avançar por conta própria surgiu mais tarde, já com o conhecimento consolidado e com incentivo de quem reconhecia o seu valor. “Havia muita gente a fazer pressão para eu abrir uma empresa, porque o meu know-how é de facto muito bom”, recorda.
Em 2014 começou sozinho a empresa, duas semanas depois contratou o primeiro funcionário e hoje emprega cerca de 15 pessoas, trabalha de norte a sul do país e já levou o nome de Alpiarça além-fronteiras, com intervenções em Espanha, Angola, Itália e até na Arménia. Apesar do crescimento, Nuno Ferreira afirma que “não nasceu para ser patrão”, tratando as pessoas com “sentimento” e valorizando a proximidade, respeito e humildade. “O maior valor que dou nos meus funcionários é a humildade e o profissionalismo”, afirma, acrescentando que não acredita em hierarquias rígidas nem em noções de superioridade.
Essa forma de estar reflecte-se na relação com os trabalhadores, procurando dar-lhes condições que ele próprio valorizava enquanto funcionário, como boas ferramentas, viaturas adequadas e algo que, para si, faz toda a diferença: pagar o almoço a todos os empregados, porque “quando era trabalhador gostava quando o meu patrão fazia isso”. A empresa distingue-se ainda pela capacidade de resposta e pela resolução de problemas complexos, num sector onde Nuno Ferreira afirma que o tempo é crítico e onde a rapidez pode fazer toda a diferença. “Uma certeza dou: ou actuamos no próprio dia ou no dia seguinte estamos lá”, afirma, sublinhando também a capacidade de criar soluções técnicas da empresa, onde outros “não arriscam”.

Uma vida dedicada ao trabalho
Se há algo que marca o percurso de Nuno Ferreira é a dedicação quase total ao trabalho. Sem férias desde que começou a empresa, vive num ritmo intenso, com dias que começam de madrugada e terminam já noite dentro. Mesmo ao domingo, dificilmente desliga. “Se me ligarem, eu vou, mesmo a um domingo. Não posso querer só o cliente numa altura e depois não o manter”, explica, apesar de salientar que o contacto directo com os clientes é muitas vezes exigente.
Em períodos de maior actividade, o telefone não para, mas ainda assim, assume que gosta do que faz e que o cansaço nunca foi motivo para parar. “Quando se trabalha por gosto, a gente nem se importa. Pode ser doença, mas gosto”, destaca. Contudo, reconhece que o ritmo tem custos, tendo admitido que já sofreu um princípio de AVC relacionado com o stress e que começa agora a tentar delegar mais responsabilidades. “Gostava de diminuir as minhas responsabilidades e que a empresa não fosse tão dependente de mim. Esse é um objectivo meu”, confessa.

Desafios do sector e crescimento da empresa
A empresa opera num sector em constante evolução, em que a tecnologia tem vindo a transformar profundamente a forma de trabalhar, embora Nuno Ferreira afirme que nem todos os agricultores estejam preparados para investir. “Ainda há alguma resistência, porque são investimentos caros, mas a longo prazo compensam”, explica, alertando também para os custos crescentes da produção agrícola e para a falta de apoio ao sector. “O agricultor tem cada vez mais despesas e o Estado não apoia ninguém”, critica, defendendo maior valorização do sector. Apesar das dificuldades, acredita que a proximidade é uma vantagem em zonas rurais como Alpiarça, onde construiu a sua base. “Apesar de ser da Chamusca, gosto mais de trabalhar em Alpiarça. Aqui as pessoas tratam-nos de forma diferente e, na minha opinião, valorizam mais as empresas”, afirma.
Ao contrário de muitos empresários, Nuno Ferreira não ambiciona crescer indefinidamente e até já recusou propostas de compra da empresa, preferindo manter uma estrutura que lhe permita conhecer todos os trabalhadores e manter o ambiente de proximidade. “A empresa para mim não deveria crescer muito mais quando chega a um certo patamar. Senão perde-se a proximidade e o convívio que caracterizam as pequenas empresas. Se aumentar a facturação fico contente, mas dinheiro não é tudo”, defende.
Sem grandes planos a longo prazo, prefere viver um dia de cada vez, apostando em pequenas melhorias que tornem a empresa mais eficiente. No fundo, o maior objectivo mantém-se simples: garantir estabilidade, cumprir com quem depende dele e continuar a fazer aquilo que sempre fez. “Tenho 14 famílias a meu cargo e não posso falhar com os salários ao fim do mês. Essa é a minha maior responsabilidade e preocupação, além de fazer um bom trabalho”, afirma.

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