Identidade Profissional | 06-05-2026 21:00

Alexandre Ferreira: uma vida ao serviço dos outros

Alexandre Ferreira: uma vida ao serviço dos outros
IDENTIDADE PROFISSIONAL
Alexandre Ferreira, 78 anos, antigo tenente-coronel paraquedista é agora presidente do Centro de Solidariedade Social Nossa Senhora da Luz, Póvoa de Santarém - foto O MIRANTE

Aos 78 anos, Alexandre Ferreira é presidente do Centro de Solidariedade Social Nossa Senhora da Luz, na Póvoa de Santarém, e continua a dedicar os seus dias a uma missão que define como “fazer bem às pessoas”.

Com um percurso que cruza a vida militar, o associativismo e a intervenção social, Alexandre Ferreira é um exemplo de como a identidade profissional pode ser moldada pelo compromisso com a comunidade. Natural da Póvoa de Santarém, o antigo tenente-coronel paraquedista encontrou uma nova missão: liderar e desenvolver respostas sociais numa instituição que acompanha há décadas. O presidente do Centro de Solidariedade Social Nossa Senhora da Luz afirma ter a necessidade de tentar ajudar as pessoas, sublinhando que este impulso não é recente, mas sim algo que faz parte de si. Ao longo dos anos, esteve ligado à fundação e direcção de várias entidades, sempre com o objectivo de apoiar ex-militares, famílias carenciadas e população idosa.
A sua experiência militar marcou profundamente a forma como encara a liderança. Defende uma organização estruturada, inspirada no modelo de comando, mas focada na proximidade e no exemplo. “Liderar não é ser ditador”, explica, acrescentando que o papel de quem dirige passa por orientar, acompanhar e garantir que o trabalho é feito com qualidade e rigor.
Actualmente, a instituição que lidera disponibiliza diversas respostas sociais, desde centro de dia e apoio domiciliário até cantinas sociais e banco de roupa. O objectivo é claro: melhorar a qualidade de vida das pessoas mais vulneráveis. “A nossa finalidade é dar uma vida melhor às pessoas mais necessitadas”, afirma.
Um dos projectos que mais destaca é o envolvimento de voluntários, que considera essencial para o funcionamento da instituição. Com cerca de trinta pessoas activas, este grupo assegura apoio diário, especialmente aos fins de semana, combatendo o isolamento e promovendo o acompanhamento dos utentes. “Praticar o bem à comunidade que nos envolve é isso que faz sentido”, afirma.
Apesar do trabalho desenvolvido, Alexandre Ferreira alerta para os desafios crescentes na área social, nomeadamente o envelhecimento da população e a falta de respostas adequadas. Critica a propagação de estruturas ilegais que acolhem idosos sem condições dignas, defendendo um maior investimento e fiscalização. “O idoso deve ser tratado com dignidade”, sublinha.
Com o fim do mandato a aproximar-se, prepara a sucessão com preocupação, mas também com esperança. Acredita que o futuro das instituições passa por uma combinação de profissionalização e espírito voluntário, numa sociedade que, considera, precisa de recuperar valores como o respeito e a solidariedade. Mais do que um cargo, a sua função tornou-se uma extensão da sua própria vida. “Estou sempre a gerir a instituição, esteja de férias ou não”, admite. Um reflexo claro de uma identidade profissional construída não apenas pelo percurso, mas pelo propósito.

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