Identidade Profissional | 05-08-2026 18:00

O filho de bombeiros que chegou a comandante em VFX

O filho de bombeiros que chegou a comandante em VFX
IDENTIDADE PROFISSIONAL
Pedro Carolino é o novo comandante dos bombeiros de Vila Franca de Xira e quer liderar pelo exemplo - foto O MIRANTE

Aos 34 anos, Pedro Carolino chega ao comando dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira com uma ideia bem definida: liderar pelo exemplo. Depois de um percurso construído entre a formação, a experiência operacional e o comando em Sacavém, regressou à casa onde tudo começou.

Ainda antes de aprender a escrever o próprio nome já Pedro Carolino brincava no antigo quartel dos bombeiros de Vila Franca de Xira como se fosse uma extensão da sua casa. Agora, aos 34 anos, fecha um círculo: o menino filho de bombeiros é hoje o comandante da corporação de Vila Franca de Xira. Filho de Paulo Carolino (actual segundo-comandante) e de uma antiga bombeira, diz que nunca conheceu outra realidade no seu seio familiar. “Posso dizer, literalmente, que fui criado dentro dos bombeiros”, conta com um sorriso a O MIRANTE.
Nascido e ainda hoje residente em Vila Franca de Xira, cresceu numa família profundamente ligada à corporação. A mãe também trabalhou nos bombeiros durante vários anos e, além dos pais, há tios, primos e irmãos ligados à casa. “Basicamente eu era o filho do Carolino e da Célia, mas também era o filho dos bombeiros, porque todos eles tinham de me deitar a mão. Andava ali desde muito pequeno e todos eles me ajudavam neste processo de construção da minha individualidade”, explica.
Teve uma infância feliz numa Vila Franca de Xira diferente, com menos trânsito e mais brincadeiras na rua. Antes de chegar aos bombeiros houve outra paixão: o futebol. Durante cerca de 14 anos vestiu o equipamento do União Desportiva Vilafranquense, desde os escalões de formação até aos juniores. Ainda hoje considera o desporto uma parte essencial da sua vida e mantém uma rotina diária de treino. “Faço questão de acompanhar as equipas de intervenção. Costumo pautar pelo exemplo”, afirma.
Mesmo como comandante recusa afastar-se da componente operacional e física. Reconhece que as responsabilidades da função o obrigam a dedicar-se cada vez mais à estratégia, mas acredita que nunca pode perder contacto com a realidade do terreno. “Sou muito ligado à parte operacional. Nesta fase tenho de estar direccionado para a parte estratégica, mas nunca esqueço a parte da manobra e da táctica”, conta o comandante que, desde pequeno, sonhava ser bombeiro. “Tenho álbuns de infância, com três e quatro anos, e já tinha tudo associado aos bombeiros. Já andava com a camisola dos bombeiros ou com o chapéu dos bombeiros”, confirma. Por isso, entrar na corporação nunca deu lugar a dúvidas. “Sempre soube que era uma questão de tempo”, assume. Começou como estagiário, passou a bombeiro de terceira, depois a bombeiro de segunda e, quando já desempenhava essas funções, recebeu um convite para integrar o comando dos Bombeiros de Sacavém como adjunto de comando. Mais tarde seria promovido a segundo-comandante daquela corporação, até que surgiu a oportunidade de regressar à casa onde tudo começou.

Liderar pelo exemplo
Depois de vários convites aceitou assumir o comando dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira, em Março deste ano, iniciando um processo que define como uma reestruturação daquilo que considera necessário mudar, preservando tudo o que já estava bem feito. Pedro Carolino chega ao comando depois do pai, Paulo Carolino, e de Elviro Passarinho, uma referência da corporação. “Foi para mim uma honra e será sempre um orgulho ter vivido e presenciado aquilo que era trabalhar com o comandante Passarinho”, admite. Já sobre como é trabalhar com o pai, faz questão de garantir que da porta do quartel para dentro deixa de haver laços familiares. “Aqui não há pai, nem mãe, nem irmãos, nem filhos. Somos todos iguais”, afirma.
Para si, liderar a corporação implica disciplina e respeito pela hierarquia. Diz que o comandante tem de dar o exemplo e considera que a liderança não se impõe apenas pela autoridade, mas sobretudo pelo comportamento diário. Humildade e capacidade de trabalho são outros dos atributos que considera essenciais para a função que exerce. Aquilo que menos tolera é a falta de empenho. “A preguiça e o deixa-andar são factores com os quais não convivo bem”, critica. Por isso, diz, quer uma corporação disciplinada, organizada, próxima da população e capaz de ser uma referência não apenas no concelho, mas também a nível distrital e nacional. Defende igualmente uma aposta forte na imagem e na comunicação da instituição, reforçando as acções de proximidade com as escolas e a comunidade.
Pedro Carolino conhece bem os desafios do concelho. Vila Franca de Xira concentra riscos muito diferentes: a frente ribeirinha, a ferrovia, a Auto-Estrada do Norte, a Estrada Nacional 10 e um conjunto de ocorrências urbanas e rurais que exigem preparação constante. Ainda assim, garante que a população pode dormir descansada, porque a corporação tem capacidade de socorrer quem precisa.
Já o voluntariado continua a ser uma preocupação permanente. O responsável considera positivos os incentivos municipais aos bombeiros, mas acredita que quem entra na corporação o faz, acima de tudo, por espírito de missão. Sobre a criação de uma central única de despacho de meios, mostra-se favorável, desde que essa estrutura não interfira na autonomia operacional dos comandos.
Nos tempos livres admite que um comandante nunca consegue desligar completamente. Quando os tem, gosta de correr, praticar canoagem, ir ao ginásio e manter-se fisicamente preparado. Nas férias tanto aprecia praia como montanha, destacando a Comporta como um dos locais preferidos para descansar. É um benfiquista assumido e continua a acompanhar o futebol sempre que pode. Admite que não é adepto de séries ou de passar longas horas no sofá.

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