“Quando entramos para a restauração deixamos de ter vida própria”
Aos 53 anos, Cláudia Monteiro continua a encontrar na restauração o mesmo gosto que tinha aos 13 anos, quando começou na actividade. Proprietária do Restaurante Central Park, em Constância, construiu um negócio familiar que começou com um pequeno snack-bar com espaço para trinta pessoas e alargou para um restaurante que hoje tem capacidade para receber cerca de 150 pessoas.
Cláudia Monteiro, natural de Tramagal, concelho de Abrantes, entrou no mundo da restauração ainda adolescente. Tinha 13 anos quando começou a trabalhar a servir à mesa num café da terra e foi através dessa experiência que começou a ganhar ainda mais o gosto pela actividade. “Sempre gostei muito da parte da cozinha, sempre gostei muito de fazer doces. Foi um bichinho que sempre mexeu comigo”, conta.
O percurso até ao Restaurante Central Park, no Parque Ambiental de Santa Margarida, em Constância, foi feito passo a passo sempre com a ajuda do marido e da família. Em Janeiro de 2003, o projecto começou por ser um snack-bar. Passado um ano já havia muita procura para além do “café e pastel de nata”. As pessoas que passavam por ali perguntavam a Cláudia Monteiro se havia sopa, bifanas e até bitoques. Foi então que decidiram criar uma sala com 34 lugares atrás do café, que mais tarde se tornou pequena. O espaço foi crescendo com novas salas e actualmente o Restaurante Central Park tem capacidade para 150 pessoas.
Aposta na comida de inspiração caseira
Para Cláudia Monteiro, trabalhar na restauração significa, acima de tudo, gostar verdadeiramente daquilo que se faz. O desafio diário passa por responder à procura e tentar inovar. Além do trabalho no restaurante, tem aumentado também a procura por serviços externos, como lanches, baptizados e casamentos.
Por detrás de uma encomenda que parece simples está muito trabalho. Cláudia Monteiro explica que nem sempre os clientes têm noção do que implica preparar comida para dezenas de pessoas enquanto o restaurante continua em funcionamento. “As pessoas acham que isto é tudo fácil, mas a verdade é que não é”, afirma, lembrando que é necessário manter simultaneamente a cozinha, a sala, o take-away e os serviços para fora a funcionar.
Uma das características que Cláudia Monteiro considera distinguir o Central Park é a aposta numa comida de inspiração caseira, mas também a proximidade no atendimento ao cliente. Não gosta de dizer que a sua comida é melhor que a dos outros, prefere apenas falar das diferenças na forma de trabalhar. “Distingo o restaurante pela comida caseira”, afirma, acrescentando que o atendimento é a ferramenta essencial para o bom funcionamento no trabalho.
Essa atenção ao cliente reflecte-se na flexibilidade da ementa. Não existe uma ementa fixa e Cláudia Monteiro procura perceber o que cada grupo ou família gosta de comer, tentando adaptar pelo menos um dos pratos aos seus gostos. É uma opção que reconhece dar trabalho e até algumas dores de cabeça, mas que considera importante para que quem entra no restaurante saia satisfeito.
‘Não’, é uma palavra que não consta no meu dicionário”, afirma com convicção, descrevendo-se como uma pessoa que não desiste de nada e que procura sempre encontrar soluções para os problemas existentes e para satisfazer os clientes. “Não desisto mesmo de nada”, sublinha. O restaurante mantém uma relação de proximidade com o Parque Ambiental de Santa Margarida, trabalhando em conjunto para receber grupos e excursões, algo que para Cláudia Monteiro é uma parceria muito importante para a dinâmica do concelho e para que quem visita Constância possa conhecer não apenas o restaurante, mas também outros pontos de interesse.
“O restaurante é o meu bebé”
Se há uma ideia que Cláudia Monteiro repete ao longo da conversa com O MIRANTE é a de que a restauração exige uma dedicação quase total. “Quando entramos no mundo da restauração, deixamos de ter vida própria”, constata. Os horários são difíceis de conciliar com a vida pessoal e até compromissos simples, como ir ao cabeleireiro ou a uma consulta, podem acabar por ficar para segundo plano quando surge um cliente, um fornecedor ou um serviço. “Nunca viro as costas ao trabalho”, afirma. A dedicação chega ao ponto de, por vezes, chegar atrasada a consultas ou exames médicos para não deixar de atender alguém.
Para Cláudia Monteiro, uma boa profissional é aquela que não desiste, que procura manter-se actualizada e que tenta sempre fazer o melhor possível. “Nem nos dias de folga ou férias consigo desligar-me do trabalho”, confessa, admitindo que leva a profissão consigo para casa, porque passa tudo por si: fornecedores, trabalhadores, clientes e organização do serviço. “O restaurante é o meu bebé”, diz, reconhecendo que essa responsabilidade representa uma grande sobrecarga, mas também algo de que gosta.
Hoje, os filhos trabalham consigo e a família já começa a preparar a continuidade do projecto. Quando se fala de sonhos por alcançar a nível profissional, Cláudia Monteiro tem apenas um: “Quero aproveitar o terreno existente para criar um espaço maior destinado a festas, eventos, casamentos e baptizados”. Contudo, reconhece que a falta de trabalhadores é actualmente um dos principais obstáculos ao crescimento do restaurante.
Para o futuro, não pede muito mais do que aquilo que já conquistou. Gostaria apenas que o restaurante se mantivesse com clientes e a procura que tem tido. Questionada sobre o que gostaria que os clientes continuassem a dizer sobre si enquanto profissional, Cláudia Monteiro responde com a lágrima no canto do olho: “Tenho pessoas que vêm aqui, que me tratam como uma pessoa amiga, como se me conhecessem há muitos anos”.


