Internacional | 21-01-2023 14:35

Deputada propõe monumento em Paris para assinalar chegada dos imigrantes portugueses

paris
foto ilustrativa - foto dr

Nathalie Oliveira, eleita pelo círculo da Europa, diz que a ideia de uma homenagem na gare ferroviária de Austerlitz, foi bem recebida pela câmara de Paris

A deputada socialista Nathalie Oliveira, eleita do PS pelo círculo da Europa, propôs à Câmara de Paris a instalação de um monumento de homenagem aos milhares de imigrantes portugueses que chegaram, nos anos sessenta, de comboio, à Gare de Austerlitz.

A parlamentar, que foi, entre 2008 e 2020, vereadora na câmara de metz, em França, e é filha de imigrantes, gostaria que a sua proposta fosse concretizada a tempo das comemorações dos 50 anos da revolução do 25 de Abril.

"Eu já tinha passado muitas vezes pela Gare de Austerlitz e perturbava-me o facto de não encontrar nada que aludisse à passagem de tantos imigrantes, milhares de portugueses, nesta estação. No final de Agosto, voltei a passar por lá e senti uma presença muito forte dos nossos. Andei a procurar outra vez e nada, liguei ao historiador Vítor Pereira que me confirmou que não havia nada" disse à agência Lusa, para justificar a sua iniciativa.

A proposta da deputada portuguesa, que é a primeira eleita para o parlamento português nascida em França, foi apresentada a Laurence Patrice, vereadora pela Conservação da Memória de Paris e foi em recebida. "Tive algum receio que a ideia não tivesse muita atenção, mas não, a vereadora mostrou-se muito entusiasmada", declarou a deputada socialista.

Nos anos 1960 e 1970, muitos portugueses, vindos a salto, chegavam à fronteira entre Espanha e França, mais precisamente à cidade francesa de Hendaia, fazendo depois o resto do caminho para Paris em comboio e chegando à emblemática Gare de Austerlitz. Muitos instalavam-se nos 13.º e 14.º bairros, mais próximos desta estação, onde na altura havia muitas fábricas, enquanto outros partiam para a periferia da capital.

Chegavam tantos portugueses a Paris através desta estação, que desde 1966 o comité Lyautey, especializado no atendimento a migrantes, tinha uma faixa em português para o acolhimento de quem chegava, e na década seguinte, o consulado português instalou mesmo um posto de atendimento dos seus serviços sociais na gare.

Nathalie Oliveira sugeriu como ideia base para o monumento o poema "Portugal em Paris" de Manuel Alegre, no qual o poeta português descreve como viu a sua "pátria derramada na Gare de Austerlitz" nas ruas de Paris, aludindo à imigração portuguesa em França.

Mas há várias outras referências à mítica estação de caminho de ferro, na poesia e música portuguesa. José Mário Branco tem um tema instrumental na abertura do álbum "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, de 1971, com sons daquela estação ferroviária captados na altura e o Quarteto 1111, de José Cid, na canção de 1970, Domingo em Bidonville, sobre a emigração portuguesa em França, faz também referência a uma "longa espera na gare de Austerlitz".
O projeto deve passar agora por uma fase de aprovação pelos eleitos de Paris, com Nathalie Oliveira a construir a proposta em parceria com os historiadores Vítor Pereira, investigador principal no Instituto de História Contemporânea da FCSH e um dos maiores especialistas na história da emigração portuguesa do século XX, e Yves Leonard, historiador francês especialista na História de Portugal que publicou recentemente o livro "Histoire de la nation portugaise" (edições Tallandier).

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