Livros que São Vidas | 24-06-2024 11:51

A volta aos livros em 80 mundos

A volta aos livros em 80 mundos

Supondo que a viajar é que a gente se entende, e a ler, nos entendemos com o mundo.

Supondo que a viajar é que a gente se entende, e a ler, nos entendemos com o mundo, tirar férias - não para aproveitar o tempo, porque esse, como dizia Pessoa, ninguém sabe quem é para que se aproveite - continua a ser dar largas à felicidade, satisfação que a ninguém, senão nós, nos damos, enquanto prazer, realização pessoal, ilusão a que se volta sempre que a perdemos.

Não fosse a leitura um mar de oferta em que o leitor pode banhar-se, não uma, mas todas as vezes que o desejo corre a seu favor, são os livros, na verdade, melhor companhia para sonhar, para fruir, para viver.

Em ano de comemoração (e centenário), nada mais oportuno que deitar mão à edição de uma excelente biografia de Camões intitulada: Fortuna, Caso, Tempo e Sorte (Edições Contraponto), assinada por Isabel Rio Novo, aquisição editorial, por certo, mais bem sucedida felizmente, que a da edição de: Camões em nós, por nós (Anadiômene Editora), do poeta brasileiro Alexei Bueno, sequência de 500 versos que, na última estância reza assim: "O agora eterno, a tua voz,/ O estático e móvel centro/ Nós contigo, o fora e o dentro,/ Hoje, sempre, em nós, por nós.”

Outras duas sugestões, em áreas diversas, embora, mas nem por isso de menor interesse para leitores atentos ao que se passa editorialmente à volta do dia em 80 mundos, como diria Cortázar, vão para a chegada a Portugal do romance (inacabado), e uma vez mais fascinante, de Gabriel García Márquez: Vemo-nos em Agosto (Edições D. Quixote); por fim, por que não questionar-se, o leitor, com a leitura desse impressionante ensaio do filósofo José Gil - o pensador português que mais assertivamente tem avaliado o modo de ser português na Europa, e no mundo - a que chamou: Morte e Democracia (Relógio d’Água Editores), reflexão crítica sobre os modos como “a morte e a imortalidade” tendem a relacionar-se com o poder político?

Nada, pois, como ler para crer!, diria o ateu que dava graças a Deus por ter nascido incrédulo.

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