Iluminação publica desligada a partir das nove da noite para salvar aves
Apagão geral a partir da uma da manhã de 31 de Outubro até 10 de Novembro
A ilha do Corvo, a mais pequena habitada do país, está a promover um corte da iluminação pública para salvar os cagarros (Calonectris borealis), uma ave marinha da Macaronésia, até 10 de novembro.
Numa iniciativa da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e da Câmara Municipal do Corvo, que vai na sua quarta edição, “no período mais crítico para esta espécie, quando os juvenis abandonam o ninho, o Corvo desliga as luzes a partir das 21:00 para minimizar o impacto da poluição luminosa”.
O Corvo vai desligar ainda a iluminação pública a partir da 01:00 de 31 de outubro a 10 de novembro.
Segundo a nota da SPEA enviada à Lusa, estes juvenis dos cagarros, que “são voadores inexperientes, ao abandonarem o ninho têm tendência a ser atraídos pela luz, desorientando-se e acabando por cair por terra, podendo ser predadas por cães e gatos, perecer por colisão e desidratação”.
Aquele organismo revela que este ano, o apagão geral da iluminação pública será medido por um Laboratório de Poluição Luminosa, através da rede de fotómetros instalados no Corvo, que mede o brilho do céu e noites naturais.
“Isto permitirá aumentar o conhecimento sobre o efeito da poluição luminosa nos juvenis de cagarro. Serão marcados quatro juvenis de cagarro com marcas GSM GPS, para avaliar o seu comportamento na presença de iluminação pública e durante o apagão”, de acordo com a SPEA.
Segundo a SPEA, 25% dos juvenis marcados com anilhas metálicas, são recapturados durante a Campanha SOS Cagarro, após desorientação pelas luzes do Corvo.
O apagão é realizado no âmbito do projeto Interreg EElabs, que visa “avaliar os efeitos da poluição luminosa na população de aves marinhas e nas noites naturais, através da recolha de informação do primeiro e único Laboratório de Poluição Luminosa dos Açores, instalado na ilha do Corvo, e em sinergia com o trabalho da investigadora Elizabeth Atchoi [centro de investigação Okeanos], a estudar a poluição luminosa e as aves marinhas nos Açores”.


