Nacional | 28-08-2023 10:00

Católico e muçulmana casaram em igreja de Fátima

Pais da noiva e um dos irmãos estiveram presentes, mas um outro irmão e uma irmão não foram porque queriam que o noivo se convertesse.

O português Toni Jorge, 39 anos, católico, e a tunisina Oumayma, 36, muçulmana, casaram pela Igreja Católica em Fátima, para mostrar a outros casais de religião mista que o matrimónio “é possível”.

A cerimónia aconteceu ontem à tarde na Igreja Matriz de Fátima, no concelho de Ourém, distrito de Santarém e, para os noivos, o ato comprova a abertura da Igreja Católica, dando um “sinal de tolerância” e de “compatibilidade entre as duas religiões”.

“Sempre que contámos a alguém sobre o casamento, todos ficaram surpreendidos - ninguém sabia que era possível casar com uma pessoa muçulmana numa igreja. É uma boa ocasião para mostrar que é possível”, disse Toni Jorge à agência Lusa antes da cerimónia.

Oumayma, por seu lado, vê “muita frustração entre as pessoas novas” quando querem relacionar-se com alguém de outra religião. “Têm medo do que pode acontecer. O nosso casamento é um exemplo do que pode acontecer”, afirmou.

A relação entre ambos começou em Março de 2020, em Espanha, quando celebravam os respectivos aniversários em Sevilha, “mesmo antes da covid explodir e do confinamento”.

A pandemia e a distância - moram em França, em cidades afastadas por centenas de quilómetros - tornaram difícil o namoro. “Mas lá fomos conseguindo encontrar-nos”.

Em Dezembro de 2022, surgiu o pedido de casamento de Toni. A diferença de credos foi irrelevante na decisão, tanto dele como dela.

“Somos ambos crentes, eu acredito em Deus, ela acredita em Deus. Temos diferentes religiões, mas sabemos que ambas têm os mesmos valores. Isso é o mais importante. Não importa se rezamos de forma diferente ou não”.

Toni Jorge, que nasceu em França, filho de pais emigrantes, naturais de Fátima, tinha um desejo extra: celebrar a união na cidade da família.

“Sendo eu português e de Fátima, esta Igreja Matriz tem muito simbolismo para mim. Os meus pais foram baptizados aqui, casaram aqui, e eu e os meus irmãos também fomos baptizados aqui. Sempre tive a ideia de casar aqui”, assumiu.

Oumayma, que até nem queria um casamento com cariz religioso, fosse ele qual fosse, aceitou. “Quando percebi que era algo que o podia fazer feliz, a ele e à família, e que não me sentiria incómoda com isso, disse: ‘tudo bem’”.

Menos tranquila foi a gestão familiar do assunto. “Os meus pais não ficaram muito agradados, mas aceitaram”, contou a tunisina, que teve de lidar com a resistência de um irmão e da irmã. “Queriam que ele se convertesse. Eu disse ‘não, nem pensar, não vou forçar ninguém a mudar de religião por minha causa”.

Só os pais e um outro irmão de Oumayma estiveram presentes na cerimónia na igreja de Fátima. A cerimónia foi parcialmente celebrada em francês pelo padre Rui Marto, para que Oumayma percebesse.

Na festa preparada para comemorar a união entre Toni e Oumayma Jorge, marcaram presença quase centena e meia de convidados.“Escolhemos pratos principais sem porco”, alimento proibido pelo livro sagrado dos muçulmanos, o Corão. “Assim comem todos, tanto católicos como muçulmanos”, disse Toni Jorge antes da boda.

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