Nacional | 02-03-2024 12:51

Serviço Nacional de saúde não consegue dar resposta às pessoas que precisam de cirurgia da obesidade

Apesar da redução do tempo de espera e da cirurgia ser apenas para os casos mais graves há centenas de doentes a aguardar. Só a marcação da primeira consulta chega a demorar um ano.

Quase 1.400 doentes aguardavam pela cirurgia para a obesidade no final de 2023, ano em que foram operadas 1.965 pessoas, que esperaram em média 5,5 meses, um valor que tem vindo a baixar, segundo dados oficiais.
Segundo a lei, as cirurgias de prioridade normal devem ser realizadas num prazo máximo de seis meses.
Os dados provisórios avançados à agência Lusa pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), a propósito do Dia Mundial da Obesidade, assinalado a 04 de Março, indicam que o tempo médio de espera para cirurgia tem vindo a diminuir: 10,4 meses em 2021, 6,5 meses em 2022 e 5,5 meses em 2023.
Em 2023, foram operadas 1.965 pessoas com obesidade, menos 12 do que em 2022 e mais 391 comparativamente a 2021, no âmbito do Programa de Tratamento Cirúrgico da Obesidade (PTCO).
A cirurgia é um dos pilares do tratamento da obesidade e está reservado para uma pequena porção de pessoas que sofrem daquela doença, os casos mais graves.
Mesmo sendo uma franja da população global com obesidade, os centros de referência do Serviço Nacional de Saúde não conseguem dar resposta a todas as situações.
Por outro lado, o tempo de espera para uma consulta de obesidade também “é muito prolongado”, pelo menos, um ano, muito mais daquilo que seria admissível para uma pessoa que vive com uma doença crónica.
A presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, Paula Freitas, considera que “há alguma incompreensão em relação à obesidade” e mesmo “estigma e discriminação”.
“Muitas vezes há essa incompreensão não só pelas pessoas que têm a própria doença, mas também pelos próprios profissionais de saúde”, disse a endocrinologista, defendendo “é preciso treinar, formar, mais profissionais de saúde” nesta área.
Em Portugal, 67,6% da população tem excesso de peso ou obesidade, sendo que a prevalência da obesidade é de 28,7%, o que correspondendo a mais de dois milhões de adultos.
Estima-se que, em 2035, 39% da população adulta em Portugal seja obesa, perspetivando-se um crescimento anual da doença de 2,8% entre 2020 e 2035. Ao nível da obesidade infantil, esse crescimento anual será mais elevado (3,5%).
Para Paula Freitas, é necessário arranjar estratégias e soluções para tratar já quem tem a doença instalada.
José Silva Nunes, responsável pelo Serviço de Endocrinologia do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, sublinha que que as pessoas obesas têm que desenvolver diariamente “uma luta inglória contra aquilo que a natureza determina o seu organismo fazer, que é aumentar de peso”.
“Por isso, é que sem uma ajuda farmacológica ou cirúrgica, nos casos em que se aplica, é extremamente difícil só com medidas de alimentação, intervenção alimentar ou de exercício físico conseguir controlar esta doença”, que é crónica, recidivante, multifatorial e com caráter pandémico, realça.

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