Nacional | 02-01-2026 21:29

Federação sindical defende que estudo sobre partos fora do hospital devia ser independente

medico saude

Um estudo da Direção Executiva do SNS, divulgado hoje pelo Público, revela que ocorreram em 2025, até 20 de novembro, 70 partos em ambulâncias e na via pública com ativação do INEM, mas apenas seis poderiam ter sido evitados se a urgência de obstetrícia mais próxima não estivesse encerrada.

A Federação Nacional dos Médicos defendeu hoje que o estudo sobre partos fora do hospital “devia ter sido feito por uma entidade independente”, alertando que ao ser realizado pelo SNS levanta dúvidas quanto à transparência e idoneidade dos resultados.
Um estudo da Direção Executiva do SNS, divulgado hoje pelo Público, revela que ocorreram em 2025, até 20 de novembro, 70 partos em ambulâncias e na via pública com ativação do INEM, mas apenas seis poderiam ter sido evitados se a urgência de obstetrícia mais próxima não estivesse encerrada.
O estudo, realizado a pedido do Ministério da Saúde, adianta que o aumento destes partos registados pelo INEM poderá dever-se a um maior uso da linha SNS24, revelando ainda, com base numa análise de nove partos em contexto extra-hospitalar, que a maioria das grávidas era, afinal, acompanhada no SNS.
Em declarações à agência Lusa, a presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fnam), Joana Bordalo e Sá, criticou a metodologia do estudo: “Compreendemos perfeitamente a necessidade de haver estudos nas várias pastas que existem em termos do Governo. Agora, para fazer um estudo sério, em primeiro lugar, deve ser uma entidade independente a fazê-lo. E não foi”.
“No fundo, o Governo pede ao Ministério da Saúde ou à Direção Executiva e, portanto, é um estudo feito dentro de portas e isto deixa-nos dúvidas quanto à transparência e à idoneidade do estudo”, sustentou.
“A verdade é que, seja porque recorrem mais à linha SNS 24, seja porque têm os serviços de urgência encerrados, seja qual for o mecanismo, há uma realidade que existe: Foram 78 bebés que nasceram ou nas ambulâncias ou na berma da estrada ou na rua”, vincou.
“Entendemos que isso não é digno. Agora, podem tentar manipular como quiserem a informação porque a realidade é esta. E a verdade é que se as grávidas tivessem um serviço de urgência de proximidade, se calhar isto não teria acontecido”, acrescentou.
Joana Bordalo e Sá alertou ainda que linhas telefónicas e serviços digitais, como o SNS24, “nunca vão substituir a observação médica”, além de que muitas vezes essa linha telefónica também demora muito tempo a dar resposta.
“E se depois o próprio INEM fica muito tempo para perceber qual é a urgência que está aberta, é óbvio que tudo isto atrasa e é óbvio que os bebés depois acabam por nascer no transporte”, comentou Joana Bordalo e Sá.
A líder da Fnam concluiu que, seja porque recorrem mais à linha do SNS 24 ou porque têm o serviço de urgência encerrado, “nenhuma das medidas resolve a falta de médicos e uma resposta pronta e segura para as grávidas e os seus bebés”.
O Secretário-Geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Nuno Rodrigues, defendeu, por seu turno, que a tendência de partos fora do hospital tem vindo a aumentar e que a Direção-Executiva do SNS deve preocupar-se em como evitar que estes números cresçam, mesmo com a eventual implementação das urgências regionais.
Nuno Rodrigues sublinhou que estudos sobre os efeitos das políticas públicas são importantes, mas o foco deve ser atuar para prevenir partos fora do hospital.

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