Nove em cada dez professores queixam-se de burocracia excessiva
Um inquérito da Federação Nacional da Educação revela que a maioria dos professores passa várias horas por semana em tarefas administrativas, desviando-se da função de ensinar.
Nove em cada dez professores queixam-se de burocracia excessiva e mais de 60% passam cinco ou mais horas semanais em tarefas administrativas, revela um inquérito online realizado pela Federação Nacional da Educação (FNE).
Segundo o estudo da FNE, ao qual responderam 817 docentes, 93% dos inquiridos considera haver excesso frequente de burocracia e 62,9% gasta cinco ou mais horas semanais em tarefas administrativas.
Um em cada quatro professores (26%) diz mesmo passar mais de sete horas por semana em tarefas que nada têm a ver com dar aulas, segundo os resultados divulgados hoje.
O relatório alerta que o excesso de burocracia nas escolas está a pôr em causa o ensino, porque está a desviar os professores da sua função, que é ensinar, disse à Lusa o secretário-geral da FNE, Pedro Barreiros.
Nas respostas ao inquérito, os professores queixam-se das reuniões, que dizem ser “muito longas e pouco eficazes”, mas também das actas “extensas e redundantes, sem retorno pedagógico”.
Reescrever a mesma informação várias vezes em diferentes plataformas é outra das críticas dos professores, que falam também na burocratização da avaliação, visível em tarefas como ter de preencher “grelhas complexas”, fazer “avaliação por domínios” e até “múltiplas versões de testes”, que consideram desproporcionado.
Também há queixas de excesso de trabalho por parte dos directores de turma, que lembram que estão responsáveis por fazer a ponte entre a escola e os encarregados de educação, tratar das justificações de falta de todos os estudantes ou organizar os processos individuais dos alunos.
Perante este cenário, a FNE apresentou hoje à tutela várias recomendações sugeridas pelos docentes para reduzir a burocracia, que começam por uma “revisão crítica e sistemática dos procedimentos administrativos”, que permita eliminar redundâncias e “exigências sem impacto pedagógico comprovado”.
Os representantes da FNE lembram que a desburocratização é “essencial para o reforço da qualidade do ensino, da inclusão educativa e do sucesso dos alunos”.
O relatório realizado pela FNE foi entregue aos secretários de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, e à secretária de Estado da Administração Escolar, Maria Luísa Oliveira, durante a reunião realizada hoje no âmbito da revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD).


