Deputados chumbam todas as iniciativas para acabar com propinas no superior
Os deputados chumbaram hoje todas as propostas sobre alterações ao pagamento de propinas no ensino superior, desde projectos que defendiam a sua abolição até outros que remetiam o pagamento para após o fim dos cursos.
A participação dos estudantes no financiamento do ensino superior voltou hoje a ser tema de debate na Assembleia da República, que discutiu cinco projectos de lei e dois projectos de resolução.
Todas as iniciativas foram rejeitadas, sempre com os votos contra do PSD e do CDS-PP, partidos que já anunciaram a intenção de aumentar o valor das propinas.
Bloco de Esquerda, PCP, PS e Livre defendiam o fim daquele pagamento, com ligeiras diferenças entre si, mas todas as propostas contaram com os votos contra dos deputados do PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal.
Já o projecto de lei do Chega, que defendia que os alunos deveriam pagar propinas, mas apenas quando já estivessem a trabalhar, contou com os votos contra das bancadas do CDS-PP e do PSD, bem como do PS, PCP, Livre e PAN.
A Iniciativa Liberal absteve-se e os votos favoráveis do Chega não foram suficientes para fazer aprovar “um sistema alternativo” que permitiria aos alunos de licenciaturas e mestrados integrados não pagar nada durante o curso, passando a fazê-lo apenas quando estivessem de forma estável no mercado de trabalho.
Os deputados do PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal votaram também contra o projecto de lei do BE, que propunha o fim das propinas nas licenciaturas e mestrados integrados e uma redução dos valores nos mestrados e doutoramentos.
Com a abstenção da bancada socialista e o apoio do Livre, PAN, JPP e PCP, a proposta dos bloquistas não passou.
Também o PCP apresentou um projecto de lei para a eliminação de todas as propinas, bem como de taxas e emolumentos, que foi chumbado pelas bancadas da direita e contou com a abstenção do PS. Apenas os deputados comunistas, do Livre, do BE, do JPP e do PAN apoiaram a iniciativa.
A proposta do PS, que pretendia regulamentar as taxas e os emolumentos nas instituições de ensino superior, contou apenas com o apoio dos deputados socialistas e do Livre. O projecto de lei foi rejeitado com os votos contra do PSD, Chega, CDS-PP, Iniciativa Liberal e PCP.
Para além destes cinco projectos de lei, o PAN e o PS apresentaram ainda dois projectos de resolução que recomendavam ao Governo a progressiva redução do valor das propinas, mas também estas iniciativas foram chumbadas.
O Governo PSD-CDS já tinha anunciado o descongelamento das propinas a partir de Setembro de 2026, com um aumento dos actuais 697 euros para 710 euros, mas a medida não passou no Parlamento.


