Liga de bombeiros alerta INEM que nem sempre quem está mais perto chega primeiro
Liga dos Bombeiros Portugueses diz que Centros Operacionais de Doentes Urgentes (CODU) estão a accionar meios com base na distância e que isso está a prejudicar a organização territorial do socorro.
A Liga dos Bombeiros alertou esta sexta-feira, 23 de Janeiro, que os meios de socorro estão a ser accionados com base apenas na distância e avisou que nem sempre quem está mais perto é quem chega primeiro.
Numa carta ao presidente do INEM a que a Lusa teve acesso, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), António Nunes, disse que a informação que lhe tem chegado indica que os Centros Operacionais de Doentes Urgentes (CODU) estão muitas vezes a accionar meios “exclusivamente com base na distância” e que isso está a prejudicar a organização territorial do socorro.
“O critério de distância tem de ser enquadrado numa matriz de circulação rodoviária, obstrução temporária de vias, horas de ponta em ambiente urbano, etc”, referiu na carta.
Na missiva, a LBP lembrou que os bombeiros têm 90% dos transportes de urgência pré-hospitalares e que normativos técnicos internos que tenham repercussões nos bombeiros “têm de ser acordados com os bombeiros” para serem analisados em conjunto os inconvenientes e as vantagens.
A Liga entende ainda que devem ser tidos em conta os instrumentos legais que consagram que o acionamento dos meios dos corpos de bombeiros “deve fazer-se tendo em conta as áreas de atuação atribuídas a cada um deles”, permitindo situações “de carácter excecional”, que não pode de forma sistemática ser substituído “por um mero critério único de distância”.
Contactado pela Lusa, o presidente da LBP lembrou que o INEM “deu uma diretiva interna para accionar o meio mais próximo, entendendo o mais próximo como a distância mais curta”.
“E isso nem sempre é verdade”, sublinhou o responsável, exemplificando: “Se for de manhã, para transportar um doente de Almeirim para Santarém, a distância mais curta é através da ponte de Almeirim. Mas se for pela ponte da A13, que são mais 10 a 15 quilómetros, chega lá mais depressa”.
A matriz para o accionamento de meios de socorro “tem de ser construída de acordo com as situações”, disse.


