Governo afasta prolongamento da calamidade
Após quase três semanas marcadas por depressões sucessivas, o Governo considera ultrapassada a fase de emergência, mas admite que o esforço de reconstrução está apenas no início.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, rejeitou o desafio do líder do PS, José Luís Carneiro, para prorrogar a situação de calamidade decretada devido ao mau tempo, assegurando que os mecanismos de recuperação serão aplicados em todo o território nacional.
No debate quinzenal de 19 de Fevereiro, José Luís Carneiro afirmou ter ouvido autarcas e empresários que defendem, por um lado, a prorrogação da situação de calamidade e, por outro, a integração de municípios que ficaram fora do perímetro inicialmente abrangido, questionando o chefe do Governo sobre a sua disponibilidade para avançar nesse sentido.
“Nós não vamos agora alargar o estado de calamidade. O estado de calamidade terminou. A componente da prontidão operacional para fazer face à calamidade não faz sentido, porque a calamidade passou, efectivamente”, respondeu Luís Montenegro.
O primeiro-ministro sublinhou, contudo, que os “mecanismos de recuperação e de reconstrução das áreas afectadas serão aplicados em todo o território nacional”, procurando afastar receios de exclusão de concelhos não abrangidos pelo decreto inicial.
Desde 28 de Janeiro, a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou 18 mortos em Portugal, além de centenas de feridos e desalojados, deixando um rasto de destruição em infra-estruturas públicas e privadas.
O Governo decretou a situação de calamidade em 68 concelhos mais afectados, medida que vigorou entre 29 de Janeiro e o passado domingo. Foi igualmente aprovado um pacote inicial de apoios estimado pelo primeiro-ministro em 2,5 mil milhões de euros, contemplando ajudas à subsistência, reconstrução de habitações e unidades industriais, bem como linhas de crédito.
Entretanto, foi também anunciada a isenção de portagens em alguns troços de auto-estradas nas zonas atingidas, medida que entretanto cessou.


