Nacional | 28-02-2026 17:49
Centenas de curiosos aproveitaram primeiro dia de metrobus no Porto
A curiosidade dominava a espera de famílias, casais, grupos de amigos e pessoas que aproveitavam a ‘boleia’ para ir fazer caminhadas ou correr mais perto da Foz, que embarcavam para a travessia de cerca de 12 minutos até ao final, no Império, seis paragens depois.
O metrobus do Porto arrancou hoje a fase experimental gratuita que liga a Casa da Música à Praça do Império, um ano e meio depois do fim das obras, com centenas de curiosos a testarem a travessia nas primeiras horas.
Pelas 10:00, quatro horas após o arranque da operação, eram já algumas dezenas de pessoas que esperavam, na paragem inicial na Boavista, pela partida do veículo, um autocarro a hidrogénio.
A curiosidade dominava a espera de famílias, casais, grupos de amigos e pessoas que aproveitavam a ‘boleia’ para ir fazer caminhadas ou correr mais perto da Foz, que embarcavam para a travessia de cerca de 12 minutos até ao final, no Império, seis paragens depois.
“Moramos aqui na zona e hoje, por acaso, estávamos a passar quando vimos o primeiro metrobus. Decidimos vir experimentar”, diz à Lusa Ana Costa, uma engenheira informática de 28 anos que veio com o parceiro para a viagem.
Sabiam da gratuitidade do primeiro mês de operação e aproveitaram o “acaso” para conhecer o novo meio de transporte da cidade, mas antes da partida estavam a “discutir” os méritos do projeto.
“A ideia é boa, a linha é boa, serve uma zona da cidade que não tinha tantas opções rápidas de transporte público, mas vai depender da execução, se de facto é diferente de uma faixa normal para autocarros”, conta a jovem.
Já o companheiro, o bioengenheiro Pedro Dias, brincava com a espera. “Passava um autocarro e dizíamos: ‘não é este que queremos apanhar, é outro’. Também temos curiosidade para ver como é que ele vai dar a volta” à rotunda, conta.
Também Pedro levanta dúvidas sobre “como é que vai funcionar”, entre tempos de espera e se “resolve alguma coisa” para aquela zona da cidade.
À entrada para o veículo, vários utilizadores levantaram desde logo questões sobre acessibilidade, com o espaço entre a plataforma e as portas de entrada, de cerca de 17 centímetros, como principal foco, dificultando a entrada de carrinhos de bebé e cadeiras de rodas.
As entradas, às dezenas de cada vez, com muitas fotografias e ‘selfies’ já lá dentro, concentraram-se sobretudo na Casa da Música, com poucas pessoas a juntarem-se ao longo do trajeto, ou a começarem na outra ponta, no Império, e no cais as conversas centram-se na utilidade do veículo, mas também na demora a entrar em funcionamento, entre lamentos por ser um autocarro e não um elétrico e o entusiasmo dos mais novos por ver todos os detalhes, semelhanças e diferenças, do metrobus.
No interior, a viagem faz-se avenida da Boavista abaixo, antes da entrada na Marechal Gomes da Costa, aí já sem via dedicada, com o tempo estimado a ser cumprido.
A cada paragem (Guerra Junqueiro, Bessa, Pinheiro Manso, Serralves e João de Barros), não há qualquer sinal sonoro de indicação, fundamental para pessoas cegas, nem visual, nos placards eletrónicos instalados no teto do metrobus.
A sinalização do veículo também suscitou comentários, com “Casa da Música” e “Praça do Império” a alternarem com a indicação “Fora de serviço” que ocasionalmente surgia.
“Pronto. É um autocarro”, diz à companheira de viagem um homem de meia idade, ao regressar à paragem junto à Casa da Música depois de fazer a viagem até ao Império e uma outra de regresso.
Este tipo de comentários era recorrente, assim como recorrentes eram os ciclistas a percorrer as faixas dedicadas como se de uma ciclovia se tratasse, como tinham ocupado o espaço anteriormente - na sexta-feira, a Massa Crítica organizou uma ‘despedida’ de bicicleta, com dezenas de pessoas a pedalarem uma última vez antes da entrada em funcionamento do metrobus.
Nas primeiras horas de viagem, eram constantes os ciclistas e corredores, bem como utilizadores de trotinete, que ocupavam as faixas, e perante avisos de que não podiam já circular ali, era comum ouvirem-se questões sobre a faixa da direita da avenida.
Aí, era possível verificar sinalização rodoviária que marcava como limite os 30 km/hora estabelecidos como limite desde a entrada em funcionamento do metrobus, para que a via da direita seja partilhada por automóveis e modos suaves, como bicicletas e trotinetes, embora essa velocidade fosse frequentemente excedida, além de automóveis parados em vários pontos parados ou estacionados, alguns em cima do passeio.
Bruno Silva, personal trainer de 43 anos, vive a 500 metros da Casa da Música e trouxe os dois filhos pequenos para “juntar o útil ao agradável”, abdicar de pegar no carro para os levar a almoçar fora.
“Vim por curiosidade, mas se não fosse agora viria noutro dia. (...) Não me acredito que o use muitas vezes, porque não é um trajeto que faça parte do nosso dia-a-dia. Não vai ter grande utilidade, mas para passeio, quando fizer a ligação ao Parque da Cidade, vamos utilizar mais vezes”, explica à Lusa.
Apesar da vontade pela viagem, não concorda com a solução encontra, mas, “agora que já foi feita, é tentar rentabilizar”.
“Foi um rebuçado que nos deram, mas não era o que precisávamos para a cidade. Mas pronto, foi ao que tivemos direito. (...) Usamos bastante o metro, viemos de metro para passar para o metrobus. Gostava que houvesse ainda mais oferta, e tentamos sempre fugir ao carro”, acrescenta.
A fase experimental arrancou hoje e o serviço, gratuito durante um mês, operará entre as 06:00 e as 22:00, com frequências de 10 minutos às horas de ponta e 15 minutos nos restantes horários, frequências previstas também para o serviço comercial que arranca em 01 de abril, sendo tempos abaixo do previsto aquando do anúncio do projeto, em 2021.
Para já, fica de fora da operação a extensão até à Anémona, que está em obras.
O conjunto dos veículos e do sistema de produção de energia custaram 29,5 milhões de euros, e a empreitada no terreno custou cerca de 76 milhões de euros.
A cidade aguardava há um ano e meio pela entrada ao serviço do metrobus, quando a empreitada do metrobus ficou terminada, mas o serviço não pôde ser logo implementado devido ao atraso na chegada dos veículos, devido à anulação do primeiro concurso público, depois repetido.
Com a obra terminada mas sem autocarros, o canal do metrobus na Boavista foi aproveitado como ciclovia, tendo movimentos e associações do setor instado as entidades competentes a repensar o projeto "como um todo", já que se mantiveram duas vias para automóveis e nenhuma para meios de mobilidade suave, apesar da sua utilização.
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