Nacional | 03-03-2026 11:38

Zero dá parecer favorável à quadruplicação da Linha do Norte em Vila Franca de Xira

Zero dá parecer favorável à quadruplicação da Linha do Norte em Vila Franca de Xira
Projecto vai ter impactos graves no território e o município já solicitou uma sessão pública de esclarecimento à APA - foto arquivo O MIRANTE

Em comunicado divulgado no âmbito da consulta pública do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), que terminou na sexta-feira, a Zero considera a intervenção como “estratégica para descarbonizar os transportes e reorganizar a mobilidade”, sublinhando que esse troço “constitui um estrangulamento da Linha do Norte”.

A associação ambientalista Zero emitiu parecer favorável condicionado à modernização do troço Alverca–Castanheira da Linha do Norte, exigindo garantias ambientais para o Estuário do Tejo, resiliência climática e medidas que assegurem mais comboios e menos automóveis.

Em comunicado divulgado no âmbito da consulta pública do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), que terminou na sexta-feira, a Zero considera a intervenção como “estratégica para descarbonizar os transportes e reorganizar a mobilidade”, sublinhando que esse troço “constitui um estrangulamento da Linha do Norte”.

“Condiciona os serviços suburbanos, regionais e inter-regionais, intercidades, a futura Alta Velocidade e o transporte ferroviário de mercadorias. A Zero reconhece o potencial do projeto para aumentar capacidade e fiabilidade, mas sublinha que o benefício climático só se concretiza com transferência modal efetiva e com proteção rigorosa das populações e dos ecossistemas”, alerta a associação.

Relativamente ao Estuário do Tejo, a Zero defende que a EIA demonstra que não existe “dano significativo” na Zona de Proteção Especial (ZPE) e na Zona Especial de Conservação (ZEC), mas exige uma monitorização robusta, mitigação na origem, supervisão ambiental independente e soluções de drenagem e iluminação que “não prejudiquem os habitats estuarinos”.

Segundo a associação, o aumento de capacidade previsto para a hora de ponta poderá passar de cerca de oito para 18 comboios por hora e por sentido, permitindo duplicar suburbanos e integrar serviços regionais e de alta velocidade, o que poderá traduzir-se em milhares de passageiros adicionais e na substituição de vários milhares de deslocações automóveis, caso exista integração tarifária e bons acessos.

Contudo, a Zero alerta que as estações não devem tornar-se “parques de automóveis”, defendendo a redução do estacionamento previsto e o reforço das ligações em transporte público, mobilidade partilhada, percursos pedonais e cicláveis.

“O foco deve estar em interfaces rápidas e legíveis com transporte urbano regular, e, onde este não oferece tempos de viagem aceitáveis, em mobilidade flexível partilhada em regime de transporte público a pedido, integrada na bilhética e nos sistemas de informação ao passageiro”, lê-se na nota.

Relativamente ao transporte de mercadorias, a associação sublinha que um comboio intermodal pode substituir dezenas de camiões, mas considera que a modernização do troço deve ser articulada com uma visão de rede mais ampla, incluindo soluções de redistribuição que evitem novos bloqueios no eixo Oriente–Carregado.

“A Zero emite parecer favorável condicionado ao EIA. Sim à modernização para aumentar oferta ferroviária e reduzir tráfego rodoviário e aéreo, mas com salvaguardas ecológicas vinculativas para o Estuário do Tejo, mitigação efetiva de ruído e vibração, resiliência climática demonstrada, estações acessíveis sem indução de automóvel e uma estratégia de rede que assegure capacidade para mercadorias e para todos os serviços de passageiros”, refere.

No sábado, em comunicado, o movimento ambientalista GEOTA indicou ser “favorável ao projeto” de quadruplicação do troço da Linha do Norte entre Alverca e Castanheira do Ribatejo, “condicionado ao cumprimento rigoroso das medidas de otimização e compensação”.

A modernização da Linha do Norte no troço entre Alverca e Castanheira do Ribatejo prevê a quadruplicação da via existente, a supressão de quatro passagens de nível e a construção de novas passagens desniveladas, no âmbito de um investimento enquadrado no Programa Nacional de Investimentos 2030.

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