Nacional | 09-03-2026 10:26

Fertilidade não pode ficar “refém da inércia política”, alerta associação

Fertilidade não pode ficar “refém da inércia política”, alerta associação

Associação Portuguesa de Fertilidade pede ao novo Presidente da República que coloque a fertilidade entre as prioridades nacionais. A organização alerta para falhas estruturais no acesso aos tratamentos e para a escassez de doações de gâmetas em Portugal.

A Associação Portuguesa de Fertilidade pediu ao novo Presidente da República que faça da fertilidade uma prioridade nacional, alertando que o direito à família e à saúde reprodutiva “não pode ficar refém da inércia política e administrativa”.
No dia em que António José Seguro toma posse como Presidente da República, a associação, que representa mais de 16.500 associados, apela ao chefe de Estado para que assuma como prioridades do seu mandato “a defesa dos direitos fundamentais, da coesão social e da dignidade humana no domínio da fertilidade”.
“Esta é uma área persistentemente negligenciada pelo Estado, marcada por graves falhas estruturais em Portugal e que afecta directamente milhares de pessoas e famílias”, afirma a presidente da associação, Cláudia Vieira, citada no comunicado.
Segundo a organização, “a realidade no terreno permanece profundamente desigual e penalizadora para quem enfrenta infertilidade”, uma condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que afecta uma em cada seis pessoas no mundo.
“A escassez persistente de doações no Banco Público de Gâmetas compromete o acesso efectivo aos tratamentos de Procriação Medicamente Assistida (PMA) e as longas filas de espera para aceder a estes gâmetas ultrapassam limites clinicamente aceitáveis”, alerta Cláudia Vieira.
De acordo com a responsável, estas condicionantes reduzem drasticamente as probabilidades de sucesso dos tratamentos e empurram muitas pessoas para soluções no estrangeiro, acessíveis apenas a quem dispõe de recursos financeiros suficientes. Paralelamente, afirma, “a gestação de substituição precisa da mão firme do Presidente da República, uma vez que a lei continua num inaceitável vazio jurídico”.
A Associação Portuguesa de Fertilidade reafirma a sua total disponibilidade para colaborar com os órgãos de soberania na construção de políticas públicas baseadas na evidência científica, na ética e no respeito pela dignidade de todas as pessoas.
Cláudia Vieira adianta que a associação vai pedir uma audiência ao novo Presidente da República para debater as políticas de fertilidade e sensibilizar para os problemas estruturais no acesso aos tratamentos de PMA.

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