Concursos de professores arrancam com menos 2.591 vagas face ao ano passado
A distribuição dos lugares privilegia a mobilidade interna e a aproximação dos docentes já vinculados às suas áreas de residência, num contexto em que continuam a verificar-se dificuldades de recrutamento em várias regiões.
Os concursos de colocação de professores para o ano lectivo 2026/2027 arrancaram hoje com 8.465 vagas, menos 2.591 face ao ano passado, embora a maioria dos lugares seja destinada a quadros de escola, permitindo aos docentes já vinculados aproximarem-se de casa.
Segundo a portaria publicada na terça-feira em Diário da República, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) vai abrir 8.465 vagas para o próximo ano lectivo, das quais 3.152 se destinam a zonas com maior carência de professores.
Apesar da escassez de docentes, os concursos interno e externo apresentam uma redução global de vagas, sendo a maior diferença registada nos quadros de zona pedagógica (QZP).
O concurso externo disponibiliza 3.839 lugares, menos 1.784 do que no ano anterior, destinados a professores contratados que passam a integrar os quadros ao abrigo da norma-travão (197) ou através do mecanismo de vinculação dinâmica (3.336).
A vinculação dinâmica, introduzida pelo anterior governo socialista liderado por António Costa no novo regime de gestão e recrutamento de professores, prevê a integração nos quadros dos docentes que acumulem o equivalente a três anos de serviço.
Ao contrário do ano passado, a maioria das vagas disponibilizadas para 2026/2027 concentra-se no quadro de escola, no âmbito do concurso interno, favorecendo a mobilidade dos docentes já vinculados.
Em comunicado, o MECI refere que o número de vagas foi definido com base em proposta da Agência para a Gestão do Sistema Educativo, tendo em conta os normativos em vigor, a análise técnica dos serviços e a informação dos sistemas do Ministério, validada pelos agrupamentos.
Entre os factores considerados estiveram o número de alunos, a distribuição dos docentes de quadro, a previsão de aposentações para 2026, as necessidades lectivas por grupo de recrutamento e a identificação dos docentes abrangidos pela norma-travão e pela vinculação dinâmica.
Segundo a tutela, “nos grupos de recrutamento e QZP em que se verificaram carências, foram reforçadas as respectivas vagas”.
O principal reforço incide no grupo do 1.º ciclo do ensino básico, com uma majoração de 306 vagas em QZP carenciados. No total das zonas com maiores dificuldades de recrutamento existem 3.152 vagas, das quais 2.472 em quadro de escola.
Entre as áreas mais pressionadas estão os QZP que abrangem os concelhos de Amadora, Cascais, Lisboa, Loures, Odivelas, Oeiras, Sintra, Vila Franca de Xira, Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, Alcochete, Palmela, Sesimbra e Setúbal, bem como regiões do Algarve e Alentejo.
O MECI identificou ainda 2.594 “vagas negativas”, correspondentes a lugares que não originam abertura de novas vagas caso deixem de estar ocupados, como sucede, por exemplo, com docentes sem componente lectiva atribuída.
As candidaturas decorrem até às 23:59 de 13 de Abril, prevendo o Ministério que as listas definitivas sejam publicadas durante a primeira semana de Junho, ainda no actual ano lectivo.


