Nacional | 08-04-2026 16:41

Director do SNS admite que não será possível eliminar listas de espera por falta de profissionais

Director do SNS admite que não será possível eliminar listas de espera por falta de profissionais

O responsável reforçou que o SNS contrata todos os médicos especialistas que queiram trabalhar no SNS, estando a valorizar as carreiras para poder tornar mais atrativo o Serviço Nacional de Saúde, mas o problema é a escassez de profissionais que afeta todos os sistemas de saúde europeus.

O diretor executivo do SNS, Álvaro Almeida, admitiu hoje que não será possível eliminar as listas de espera, não por restrições financeiras ou ordens, mas pela falta de médicos e enfermeiros e pelo aumento da procura.
“Como não há médicos e não há enfermeiros em números suficientes, não conseguiremos aumentar a produção tanto quanto seria necessário para eliminar as listas de espera. Essa é uma realidade que nós temos que reconhecer”, disse Álvaro Almeida na comissão parlamentar da Saúde, em resposta a críticas sobre a insuficiência dos aumentos de 1% nas consultas e 3% nas cirurgias previstos para este ano.
Álvaro Almeida, que foi ouvido a pedido do PS “sobre instruções da Direção Executiva do SNS relativas à contenção da produção assistencial em 2026 e às restrições de recursos financeiros e humanos”, admitiu ainda que não será possível, a curto prazo, atribuir médico de família a toda a população.
Observou que, apesar de se ter registado, “em fevereiro ou em março de 2026, o maior número de utentes com médico de família desde há muitos anos”, continua a aumentar o número de utentes.
“Apesar de neste momento o SNS ter uma capacidade de resposta em quantidade e qualidade como nunca teve, o facto é que, provavelmente, precisaríamos de aumentar ainda mais essa capacidade de resposta para responder às necessidades da população que crescem muito rapidamente”, salientou.
O responsável reforçou que o SNS contrata todos os médicos especialistas que queiram trabalhar no SNS, estando a valorizar as carreiras para poder tornar mais atrativo o Serviço Nacional de Saúde, mas o problema é a escassez de profissionais que afeta todos os sistemas de saúde europeus.
Na audição, a deputada Cristina Esteves (Chega) alertou para o crescimento das listas de espera, citando que apenas 48,6% das consultas e 68,6% das cirurgias respeitam os tempos máximos de resposta garantidos. Defendeu que para combater efetivamente as listas de espera seriam necessários aumentos de 10 a 15% nas consultas e 8 a 12% nas cirurgias, metas que disse que não vão ser atingidas.
Em resposta, o diretor executivo do SNS admitiu que esse cenário não é possível. “Será provavelmente qualquer coisa desse género, [mas] isso não é possível”: "As listas de espera são algo com que vamos ter que viver e o nosso esforço tem de ser – e é nisso que estamos empenhados – evitar o seu aumento”.
Segundo Álvaro Almeida, o quadro global de referência para 2026 prevê a estabilização das listas de espera para consultas e uma ligeira melhoria nas cirurgias, impulsionada pela introdução do Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia (SINAC), que começará pela área cirúrgica.
“Na consulta será mais difícil, porque faltam recursos assistenciais. Não porque foram impostas limitações, mas porque o sistema não dispõe de profissionais suficientes”, reforçou.
Apontou ainda como exemplo da maior pressão sobre o SNS, o consumo de medicamentos que cresceu cerca de 6% em 2025, refletindo um aumento equivalente nas necessidades de tratamento da população.
“Mas a procura está a aumentar muito porque o número de utentes está a aumentar muito, sobretudo, porque a população está a aumentar, mas também está a aumentar porque estamos a investir em rastreios que permitem identificar mais precocemente as necessidades da população”, declarou.
O diretor executivo destacou ainda medidas estruturais que visam aumentar a capacidade e a qualidade do SNS, mesmo sem eliminar as listas de espera, nomeadamente rastreios e prevenção, hospitalização domiciliária, reforço da rede nacional de cuidados continuados integrados e maior eficiência na utilização de recursos.

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