Estudo conclui que macroalgas removem corantes sintéticos da água
Os corantes sintéticos são um dos poluentes mais persistentes associados às indústrias têxtil, médica e química.
Investigadores concluíram que as macroalgas marinhas podem ser “uma solução eficaz, sustentável e de baixo custo” para a remoção de corantes sintéticos da água, segundo um estudo hoje divulgado pela Universidade de Aveiro.
Os corantes sintéticos são um dos poluentes mais persistentes associados às indústrias têxtil, médica e química.
“A libertação destes compostos para os ecossistemas aquáticos tem vindo a intensificar a poluição da água, sendo que os sistemas convencionais de tratamento nem sempre conseguem eliminá-los de forma eficiente”, explica uma nota de imprensa.
De acordo com o investigador Bruno Henriques, os corantes sintéticos são compostos orgânicos complexos e frequentemente persistentes que reduzem a penetração da luz solar na água, comprometendo a fotossíntese.
Acresce ainda que “alguns corantes apresentam toxicidade ou ecotoxicidade, podendo acumular-se ao longo da cadeia alimentar, o que levanta preocupações indiretas para a saúde humana”.
Os investigadores avaliaram a capacidade de macroalgas Fucus, Gracilaria e Ulva para remover o azul de metileno, um corante sintético utilizado como composto modelo, em diferentes tipos de água e níveis de salinidade.
“Foram testadas algas vivas e algas secas, tendo ambas apresentado elevadas taxas de remoção, embora com desempenhos distintos consoante as condições experimentais”, descreve a nota.
Os resultados mostram que a alga viva Ulva “consegue remover até 92% do corante em seis horas, atingindo valores ainda mais elevados em água doce engarrafada”.
A biomassa seca de Fucus alcança cerca de 96% de remoção em apenas meia hora, “revelando um desempenho particularmente eficaz em ambientes mais salinos”.
“Embora a biomassa seca atue mais rapidamente, as algas vivas apresentam vantagens operacionais relevantes, como a facilidade de separação após o tratamento e a capacidade de absorção de dióxido de carbono, contribuindo para a redução das emissões” indica o estudo.


