Nacional | 12-04-2026 23:17

Sindicato dos Jornalistas acusa autarca de Coimbra de violar a liberdade de imprensa

Sindicato dos Jornalistas acusa autarca de Coimbra de violar a liberdade de imprensa
FOTO ILUSTRATIVA - FOTO DR

Em causa estão declarações da autarca, na sexta-feira, na reunião do executivo da Câmara de Coimbra, que o jornalista João Gaspar acompanha regularmente.

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) acusou hoje a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, de violar a liberdade de imprensa atacando um jornalista da agência Lusa, ao colocar em causa a sua independência e profissionalismo.

Em causa estão declarações da autarca, na sexta-feira, na reunião do executivo da Câmara de Coimbra, que o jornalista João Gaspar acompanha regularmente.

“A autarca acusou o repórter de “faltar à verdade” e de “falhas deontológicas graves” e sistemáticas”, refere o SJ num comunicado em que considera “inaceitáveis" atitudes como a “tentativa de afastar o jornalista da cobertura da autarquia, a pressão junto da agência Lusa para o retirar dessas funções, a limitação do seu acesso a reuniões públicas e fontes de informação, bem como a sua exclusão deliberada da lista de contactos institucional”.

Depois de a autarca ter afirmado retirar a confiança ao jornalista, o SJ clarificou que "os jornalistas não precisam da confiança da presidente da Câmara de Coimbra ou de qualquer outro autarca, para fazer o seu trabalho”.

Para o sindicato, “estes comportamentos configuram ataques objetivos e materializados à liberdade de imprensa, traduzindo-se em restrições reais ao exercício da atividade jornalística”.

Ou seja, “práticas incompatíveis com o Estado de direito democrático e podem configurar ilícitos graves, ao violarem o direito de acesso à informação e o livre exercício da profissão de jornalista”, consagrados constitucionalmente, acrescentou o SJ.

Num regime democrático, “a contestação de notícias faz-se pelos meios próprios — com esclarecimentos ou direito de resposta — e nunca através de tentativas de condicionamento, intimidação ou silenciamento de profissionais da comunicação social”, vinca o SJ

O SJ critica ainda a atuação de Ana Abrunhosa pela "tentativa clara de descredibilização pública de um jornalista no exercício das suas funções, procurando limitar o escrutínio democrático sobre o poder político local”. Algo que, “não só é inaceitável, como deve ser denunciado e travado com toda a firmeza”, frisou.

Para o SJ, trata-se de “um precedente grave e um sinal preocupante de degradação da relação entre o poder político e a comunicação social”, que coloca em causa “pilares fundamentais da democracia”.

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