Nacional | 12-04-2026 10:16

Unidade da Voz alerta para casos de HPV em crianças e risco de traqueostomia

Unidade da Voz alerta para casos de HPV em crianças e risco de traqueostomia

A especialista contou que na Unidade da Voz da Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, que funciona no Hospital Egas Moniz, acompanha atualmente crianças que chegaram com quatro anos e hoje têm 12 e 13 anos.

A coordenadora da Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz alertou hoje para o aumento de casos de Vírus do Papiloma Humano (HPV) na laringe, incluindo em crianças, algumas das quais chegam a necessitar de traqueostomia para conseguir respirar.

“Há crianças que já nascem com o HPV”, afirmou Clara Capucho à agência Lusa, explicando que o problema está ligado à transmissão do vírus durante o parto.

A cirurgiã otorrinolaringologista, pioneira no estudo da voz em Portugal, sublinhou que o HPV na grávida “é um foco de preocupação”, porque o bebé pode aspirar o vírus ao passar pelo canal de parto.

Muitos destes casos ocorrem em mulheres imigrantes que não estão vacinadas contra o HPV e, sobretudo, quando o parto é realizado por via vaginal.

Segundo a especialista, muitas destas crianças desenvolvem HPV na laringe nos primeiros anos de vida, o que pode levar “a circunstâncias dramáticas”, em que é necessária a realização de uma traqueostomia (abertura no pescoço) para poderem respirar, ficando também com a voz alterada.

“Felizmente, há algumas crianças que, ao longo da vida e com a imunidade, acabam por debelar e suprimir a manifestação do HPV, mas é muito preocupante”, afirmou, explicando que, nas situações mais graves, as crianças enfrentam um “longo caminho” de cirurgias e acompanhamento.

A especialista contou que na Unidade da Voz da Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, que funciona no Hospital Egas Moniz, acompanha atualmente crianças que chegaram com quatro anos e hoje têm 12 e 13 anos.

“Já não têm traqueostomia e já têm uma voz normal, mas temos que fazer uma vigilância apertada, porque é um vírus, e como tal é curado pela própria pessoa. Nós só temos que debelar [o vírus] e evitar que avance quando está na laringe, para não obstruir a parte respiratória e para que a voz se mantenha o melhor possível”, explicou.

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