Nacional | 15-04-2026 12:05

Conduzir com álcool é problema "particularmente grave em Portugal”

Conduzir com álcool é problema "particularmente grave em Portugal”

Segundo um estudo, que analisa dados entre 2019 e 2024, cerca de dois terços dos condutores com álcool envolvidos em acidentes com vítimas apresentavam uma Taxa de Álcool no Sangue igual ou superior a 1,20 gramas por litro, que é considerada crime, sendo essa proporção de 65,4% em 2024.

Dois em cada três condutores envolvidos em acidentes com vítimas em 2024 apresentavam valores de álcool no sangue considerados crime, revela um estudo da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).
“No domínio do álcool, a conclusão central é inequívoca: trata-se de um problema estrutural, persistente e particularmente grave em Portugal”, refere a ANSR no estudo sobre a “Evolução da Sinistralidade e Análises Comparativas”, a que a Lusa teve acesso.
O documento é divulgado no dia em que Pedro Clemente toma posse como presidente da ANSR, numa cerimónia presidida pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, que deverá anunciar medidas estratégicas relacionadas com a segurança rodoviária, tendo em conta o aumento das vítimas mortais.
Segundo o estudo, que analisa dados entre 2019 e 2024, cerca de dois terços dos condutores com álcool envolvidos em acidentes com vítimas apresentavam uma taxa de álcool no sangue (TAS) igual ou superior a 1,20 gramas por litro, valor considerado crime, sendo essa proporção de 65,4% em 2024.
Entre 2019 e 2024, a fiscalização aumentou, mas a evolução mais marcante ocorreu no escalão de alcoolemia mais grave (≥1,20 g/l), que cresceu 72,3%, indica a ANSR, precisando que 58,1% dos infractores detectados em fiscalização no ano de 2024 “já se encontravam no escalão crime, o que significa que a componente mais severa do fenómeno passou a ser maioritária”.
O estudo dá conta de que são sobretudo os homens que conduzem sob o efeito do álcool e que os veículos intervenientes são essencialmente ligeiros, embora também se verifique com motociclos, ciclomotores e velocípedes. Sublinha ainda que os períodos da madrugada e da noite apresentam risco acrescido, tanto pela percentagem de infractores e testes positivos como pelo peso dos casos em escalão crime.
De acordo com o estudo, um em cada três condutores mortos em acidentes de viação e autopsiados apresentava uma taxa de álcool no sangue superior ao limite legalmente permitido (0,5 g/l), sendo que 72% dessas vítimas excediam a taxa considerada crime (≥1,20 g/l).
O relatório conclui igualmente que “Portugal não se encontra, tal como Espanha e a própria União Europeia, na trajectória necessária para cumprir a meta de reduzir em 50% o número de mortos e feridos graves até 2030 face a 2019”, frisando que, no caso português, “o desvio é particularmente preocupante, tanto pela posição relativa desfavorável face aos parceiros europeus como pela magnitude do esforço anual de redução que seria agora necessário para recuperar a trajectória”.
Dados provisórios da ANSR indicam que este ano se registaram 43.635 acidentes, dos quais resultaram 145 mortos, 633 feridos graves e 10.753 feridos ligeiros.
Em comparação com o mesmo período de 2025, registaram-se este ano mais 5.000 acidentes, mais 42 mortos, mais oito feridos graves e menos 421 feridos ligeiros.

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