Nacional | 16-05-2026 12:44

Pradarias marinhas e zonas húmidas guardam carbono equivalente a um quarto das emissões ibéricas

Pradarias marinhas e zonas húmidas guardam carbono equivalente a um quarto das emissões ibéricas

Os ecossistemas costeiros de Portugal e Espanha podem manter retidas milhões de toneladas de dióxido de carbono durante séculos, reforçando o seu papel nas estratégias climáticas.

As pradarias marinhas e as zonas húmidas costeiras de Portugal e Espanha armazenam cerca de 95 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), o equivalente a aproximadamente 25% das emissões anuais combinadas dos dois países em 2022, segundo um estudo divulgado.
O trabalho, liderado por investigadores do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), de Espanha, e divulgado pela Agência EFE, foi publicado na revista “Marine Pollution Bulletin” e defende que a conservação destes ecossistemas deve ser uma prioridade nas estratégias climáticas.
Segundo os autores, proteger pradarias marinhas e zonas húmidas costeiras é essencial para evitar que o carbono armazenado regresse à atmosfera e para manter a capacidade destes habitats funcionarem como sumidouros activos de carbono.
O estudo, promovido pelo Grupo Espanhol de Peritos em Ecossistemas de Carbono Azul (G3ECA) e coordenado pelo Centro de Estudos Avançados de Blanes (CEAB-CSIC), constitui o primeiro inventário conjunto do carbono armazenado em pradarias marinhas e zonas húmidas de Espanha e Portugal, incluindo as ilhas espanholas.
A investigação analisou até 1.976 quilómetros quadrados de ecossistemas costeiros, contabilizando tanto o carbono retido na vegetação como aquele que se encontra acumulado nos sedimentos marinhos e costeiros, onde pode permanecer durante séculos.
“Este trabalho permite avaliar, pela primeira vez em conjunto, o papel climático destes ecossistemas em Espanha e em Portugal e realça a necessidade urgente de reforçar a sua conservação e restauro”, afirmam os principais autores do estudo, Nerea Piñeiro-Juncal e Miguel Ángel Mateo.
De acordo com as conclusões, estes ecossistemas continuam a aumentar os seus “stocks” de carbono a uma taxa média de 0,15 milhões de toneladas de CO₂ por ano.
Os investigadores estimam, contudo, que a perda de área registada durante o último século possa ter libertado entre 11 e 27 milhões de toneladas de CO₂. Alertam ainda que, caso a deterioração se mantenha, poderão ser emitidas mais 1,3 a 5,6 milhões de toneladas adicionais nos próximos 30 anos.
Entre os ecossistemas analisados destacam-se os prados de “posidonia oceânica”, espécie endémica do Mediterrâneo capaz de armazenar grandes quantidades de carbono durante milénios. Quando degradada, a sua recuperação é particularmente lenta.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias