Nacional | 19-05-2026 15:25

Sobrevivência ao cancro em Portugal sobe para 66% cinco anos após diagnóstico

cancro da mama
foto ilustrativa

Cerca de dois em cada três portugueses diagnosticados com cancro em 2019 estavam vivos cinco anos depois. Os dados do Registo Oncológico Nacional apontam para melhores resultados entre as mulheres.

A sobrevivência ao cancro em Portugal atingiu os 66% aos cinco anos para os doentes diagnosticados em 2019, indica um relatório que será hoje divulgado pelo Registo Oncológico Nacional (RON), que alerta para diferenças relevantes entre sexos.
Para a elaboração deste relatório foram analisados 54.147 tumores malignos.
Na prática, cerca de dois em cada três doentes estavam vivos cinco anos após o diagnóstico.
Os resultados revelam diferenças entre sexos: 72% das mulheres sobrevivem pelo menos cinco anos após o diagnóstico, enquanto nos homens esse valor é de 62%.
Em declarações à agência Lusa, a coordenadora do RON, Maria José Bento, epidemiologista no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, disse que esta diferença tem muito a ver com o tipo de tumor, mas também com os hábitos de cada sexo.
“Os homens têm muito mais cancro do pulmão, cancro da laringe, cancro da cavidade oral, que são tumores sem bom prognóstico, o que acaba por também se reflectir em sobrevivências mais baixas. Por outro lado, se calhar também temos um problema de detecção mais precoce. Habitualmente, as mulheres são mais atentas aos sintomas, recorrem mais atempadamente ao médico do que os homens”, apontou a directora do Serviço de Epidemiologia do IPO do Porto.
Nos homens, as melhores sobrevivências foram as do cancro do testículo, tiróide e próstata.
Já com uma sobrevivência aos cinco anos inferior a 20%, surgem os cancros do cérebro e sistema nervoso central, esófago, pâncreas, mesotelioma e tumor primário de origem desconhecida.
Nas mulheres, os tumores com melhor prognóstico foram as doenças mieloproliferativas crónicas, os da glândula tiroideia, a Doença de Hodgkin e o cancro da mama.
Por outro lado, os menos favoráveis e com sobrevivências inferiores a 20% aos cinco anos foram os cancros do cérebro e sistema nervoso central, fígado, pâncreas, mesotelioma e tumor primário de origem desconhecida.
É ainda referido que a análise por localização do cancro confirma que as mulheres apresentam melhores resultados na maioria das neoplasias de maior incidência, incluindo tiróide, pulmão e melanoma.
“Em conclusão, confirma-se a consolidação de tendências de sobrevivência observadas no ano anterior e a persistência de desigualdades por sexo, idade e região de residência”, lê-se no resumo do relatório, razão pela qual a equipa do RON reforça “a necessidade de promover maior equidade no acesso ao diagnóstico e tratamento oncológico”.

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