Mau tempo deixa famílias do Oeste sem solução habitacional quatro meses depois
Arruda dos Vinhos e Alenquer continuam com gente a viver na casa de familiares enquanto esperam pela recuperação das habitações.
Quatro meses após o mau tempo que atingiu a região Oeste, várias famílias continuam sem conseguir regressar às suas casas, vivendo temporariamente em habitações de familiares ou disponibilizadas pelas autarquias.
No Lapão, a zona mais afectada do concelho de Arruda dos Vinhos, a situação da habitação de Dina Silva continua a agravar-se. Segundo a proprietária, a casa “continua a ceder e está cada vez pior”. A avaliação realizada pela seguradora concluiu que não existem condições para recuperar o imóvel. A família aguarda agora a conclusão do processo de indemnização, embora o valor previsto não seja suficiente para reconstruir uma nova habitação.
“Não me vão pagar o valor de mercado da casa, apenas o montante correspondente ao investimento feito, o que serve apenas para liquidar o empréstimo ao banco”, explicou à agência Lusa.
Sem realizar obras de reparação, a família ficou também impedida de aceder aos apoios públicos existentes e permanece alojada em casa de familiares.
Em Arruda dos Vinhos, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo já atribuiu cerca de 400 mil euros a particulares afetados pelas intempéries, revelou o presidente da câmara, Carlos Alves.
Segundo o autarca, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil realizou avaliações técnicas aos imóveis, remetendo depois os processos para as seguradoras. Relativamente às acessibilidades, garantiu que a reconstrução do concelho é prioridade do mandato, estando já contratado um empréstimo de 3,8 milhões de euros para a recuperação, sobretudo, da rede viária.
Também no concelho de Alenquer continuam a existir famílias a viver temporariamente com familiares devido aos danos provocados pelas intempéries de Janeiro e Fevereiro, confirmou a autarquia à Lusa, sem indicar quantos casos permanecem activos.
No município foram submetidas 118 candidaturas para apoio à recuperação de habitação própria permanente, tendo sido pagos cerca de 113 mil euros.


