Destruição de gravações do INEM inviabiliza esclarecimento sobre atraso no socorro
Num comunicado a IGAS reconhece ter existido uma demora excessiva no envio de uma ambulância para assistir um doente, considerando que a situação poderia ter provocado consequências graves para a saúde do utente.
A destruição de gravações telefónicas por parte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) impediu a Inspeção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) de determinar as razões do atraso no accionamento do socorro a um homem em Évora, em Fevereiro de 2025.
A conclusão consta de um inquérito entretanto arquivado pela IGAS, divulgado esta quinta-feira, que procurava esclarecer as circunstâncias em que um utente, que se sentiu mal nas imediações do Hospital de Évora, não recebeu assistência imediata. O caso ocorreu a 18 de Fevereiro de 2025 e levou igualmente o Ministério Público a abrir uma investigação para averiguar um eventual ilícito criminal.
Num comunicado a IGAS reconhece ter existido uma demora excessiva no envio de uma ambulância para assistir o homem, considerando que a situação poderia ter provocado consequências graves para a saúde do utente caso o quadro clínico fosse mais complexo.
Ainda assim, a entidade admite não ter conseguido apurar a origem concreta do atraso devido à impossibilidade de obter esclarecimentos junto dos técnicos de emergência pré-hospitalar (TEPH) do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).
Segundo a inspecção-geral, o INEM destruiu as gravações telefónicas necessárias à investigação, o que impossibilitou a elaboração de uma avaliação crítica sobre a actuação do profissional do CODU responsável pelo acionamento dos meios de socorro.
A gravação tinha sido solicitada pelo instrutor do processo em 29 de Setembro de 2025, altura em que o acesso ao registo foi considerado indispensável. No entanto, nessa data, o ficheiro já tinha sido eliminado pelo INEM.


