Nacional | 15-06-2026 16:22
Estudo do Banco de Portugal revela escalada dos preços da habitação
foto ilustrativa
Preços da habitação mais do que duplicaram em 157 municípios entre 2017 e 2025, com as maiores valorizações a serem registadas na Área Metropolitana do Porto, Grande Lisboa e Península de Setúbal, segundo o Banco de Portugal.
Nos concelhos de Sintra, Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal, a variação do valor mediano por metro quadrado das casas vendidas apresentou valores superiores a 200% no período em análise.
A conclusão é do estudo "Habitação em Portugal: determinantes da oferta e dinâmica de preços e rendas", publicado no Boletim Económico de Junho, hoje divulgado pelo Banco de Portugal.
Já o valor mediano das rendas por metro quadrado mais do que duplicou em 23 municípios (num total de 184 para os quais existe informação), destacando-se os concelhos de Grândola, Sines e Moita, com variações superiores a 125% no período entre 2017 e 2024, o último ano para o qual o INE divulgou valores das rendas.
De acordo com o estudo, a valorização imobiliária foi mais intensa nos municípios que apresentavam preços de aquisição menos elevados face às rendas aí praticadas, tendo a procura sido deslocada "para municípios relativamente mais acessíveis" nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.
Em comparação, os municípios do Algarve, "que já se destacavam com rácios preço-renda superiores à média nacional-muito influenciados pela procura por não residentes", registaram variações relativamente menores no período considerado.
O estudo conclui também que, em Portugal, as expectativas dos consumidores sobre o comportamento dos preços da habitação nos 12 meses seguintes "evidenciam uma evolução crescente e níveis persistentemente superiores aos da área do euro".
Entre Janeiro e Março de 2026, a expectativa era de um aumento dos preços da habitação, em média, de 7% em Portugal e de 3,7% na área do euro, apresentando Portugal "uma percepção generalizada de que o momento actual é favorável ao investimento" e à aplicação das poupanças no mercado habitacional.
Apesar do forte crescimento dos preços, o estudo do Banco de Portugal revela que o peso do crédito bancário nas transacções de casas se manteve abaixo dos 60% ao longo dos últimos anos, sendo a parte restante assegurada através do recurso a capitais próprios na compra de habitação.
Contudo, o crescimento dos empréstimos foi mais acentuado desde o início de 2024, coincidindo com a descida das taxas de juro e também com "o regime da garantia do Estado" criado para os jovens.
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