Nacional | 19-06-2026 13:37
Falta de nadadores-salvadores no arranque do Verão é problema estrutural
Foto ilustrativa
A dependência de estudantes universitários, a sobrecarga horária e a falta de condições continuam a pesar numa profissão que todos reconhecem como essencial para a segurança nas praias.
A escassez de nadadores-salvadores no arranque oficial da época balnear é um “problema estrutural” que se repete há mais de uma década e que não se resolve apenas com melhores salários, defendem a Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores e concessionários de praia.
Em declarações à agência Lusa, Alexandre Tadeia, presidente da Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (Fepons), afirmou que a falta de disponibilidade de profissionais no início da época balnear é uma situação crónica em Portugal, sobretudo em Junho, quando muitos nadadores-salvadores, maioritariamente estudantes universitários, estão em período de exames.
“Nós temos um problema crónico em Portugal, e já estrutural, de falta de disponibilidade de nadadores-salvadores no arranque da época balnear. É algo que tem mais de 10 anos. Portanto, é algo já recorrente, que leva a que muitas praias não consigam ter os dispositivos de segurança que deveriam ter nesta altura do ano”, disse Alexandre Tadeia.
Segundo o responsável da Fepons, o número de nadadores-salvadores aumenta ao longo do Verão, mas esse reforço não resolve todos os problemas, uma vez que muitos acabam por trabalhar em regime de grande sobrecarga.
“Em Julho já temos nadadores suficientes, mas a grande maioria a trabalhar muitas horas extraordinárias”, afirmou, acrescentando que essas condições levam muitos profissionais a abandonar a actividade.
Alexandre Tadeia adiantou que todos os anos se perde “metade dos nadadores-salvadores que trabalham na época balnear”, devido à dureza das condições de trabalho, apesar de existirem “mais de cinco mil pessoas com curso”. O problema, explicou, é que muitos não estão disponíveis para trabalhar e outros “nem sequer querem exercer”.
Para o presidente da Fepons, a questão não se esgota na remuneração. Alexandre Tadeia considera que “não é por pagar mais” que o sector passa a ter mais profissionais disponíveis, apontando antes a falta de incentivos, de condições de trabalho e de estratégias de retenção como factores decisivos.
O responsável defende, por isso, uma “nova estratégia para a profissão” e critica o actual modelo de contratação pelos concessionários, que considera demasiado assente numa lógica “muito comercial” e pouco ajustada à realidade.
Alexandre Tadeia sublinhou ainda que o investimento na vigilância tem impacto directo na segurança dos banhistas, lembrando que, “quando o espaço é vigiado, há baixa mortalidade”.
Do lado dos concessionários de praia, Paula Vilafanha reconhece que “sempre houve dificuldades”, mas alerta para um agravamento do problema nos últimos quatro anos, também devido à forte dependência de jovens universitários.
“A assistência a banhistas depende, em grande medida, de jovens universitários. Como estão em exames em Maio, Junho e até Julho, é natural que não tenham disponibilidade”, afirmou.
A responsável lembra que a função de nadador-salvador é muitas vezes encarada como temporária, já que muitos jovens que estão na universidade têm outro percurso profissional projectado, fazendo da actividade “um parênteses” na sua vida.
Paula Vilafanha destaca ainda o aumento da pressão sobre os profissionais, num contexto em que as praias têm “cada vez mais afluência e mais actividades”, exigindo uma resposta física e operacional cada vez maior.
A representante dos concessionários critica também a falta de resposta da tutela, afirmando que o sector está “a ser desconsiderado” e que há mais de dois anos é aguardado um pacote legislativo considerado essencial, incluindo a Lei de Bases da Prevenção do Afogamento.
A falta de condições no terreno é outro dos problemas apontados, com Paula Vilafanha a alertar para a ausência de equipamentos adequados nos postos de praia, muitos dos quais considera obsoletos.
Tal como Alexandre Tadeia, também Paula Vilafanha entende que o salário não é o factor determinante, defendendo que o problema passa sobretudo pela falta de condições, regulamentação e estabilidade para exercer a profissão.
A época balnear decorre, a nível nacional, entre 15 de Abril e 31 de Outubro, embora a maioria dos municípios inicie o período de vigilância a partir de 1 de Junho. As autarquias podem, no entanto, começar a época balnear antes ou depois dessa data.
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