Portugal entra em onda de calor prolongada com máximas até 44 graus
IPMA prevê oito a 10 dias de calor intenso em praticamente todo o país. Temperaturas mínimas podem não descer dos 25 a 28 graus em algumas regiões, aumentando riscos para a saúde, incêndios e afogamentos.
Portugal continental prepara-se para enfrentar uma onda de calor prolongada, que deverá durar entre oito a 10 dias e atingir praticamente todo o território, com excepção de alguns pontos do litoral oeste e sul. A previsão é do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que destaca a duração do fenómeno como o principal factor de excepcionalidade deste episódio de tempo quente.
Segundo o IPMA, as temperaturas máximas deverão situar-se entre os 35 e os 44 graus na generalidade do país. As noites também vão ser difíceis, com mínimas que não deverão descer abaixo dos 20 graus e que, em algumas regiões, incluindo a Grande Lisboa, poderão ficar entre os 25 e os 28 graus. Este cenário aumenta os riscos para a população mais vulnerável, nomeadamente idosos, crianças, doentes crónicos e pessoas sem condições adequadas de habitação.
A situação resulta da acção conjunta de um anticiclone centrado a noroeste da Península Ibérica e de uma depressão no norte de África, que estão a transportar ar muito quente e seco para Portugal continental. Os distritos de Évora, Beja e Portalegre entram a partir de quarta-feira em aviso laranja devido ao calor, aviso que se estenderá depois a outras regiões.
Desde o início do ano, o IPMA estima que Portugal tenha já registado 59 dias em onda de calor. Em 2023 tinham sido contabilizados 80 dias e em 2024 cerca de 74. Apesar de o fenómeno se repetir ao longo do ano, é no verão que os impactos são mais sentidos, tanto na saúde pública como no risco de incêndio.
A onda de calor mais marcante registada em Portugal continental continua a ser a de Julho e Agosto de 2003, pela sua duração, extensão territorial e intensidade. Nesse episódio foram batidos vários recordes de temperatura, incluindo os 47,3 graus registados na Amareleja, concelho de Moura, no Alentejo.
A vaga de calor que afecta grande parte da Europa já terá provocado mais de 1.300 mortes desde 21 de Junho, segundo aOrganização Mundial da Saúde, que apelou aos países europeus para reforçarem os planos de prevenção e resposta às temperaturas extremas. Em Portugal, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu preocupação com o impacto que a subida das temperaturas poderá ter na mortalidade.
Também a Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores alertou para o aumento do risco de afogamento nos próximos dias, devido à maior afluência previsível a praias, rios e piscinas. A entidade defende que esse perigo deve ser incluído nas mensagens de aviso à população.
O calor extremo agrava ainda o risco de incêndio rural. Quase 20 concelhos dos distritos de Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro enfrentam perigo máximo de incêndio, enquanto todos os distritos do interior têm concelhos em perigo muito elevado.


