Caos na avaliação electrónica dos exames adia resultados e segunda fase
Falhas informáticas na classificação digital das provas nacionais obrigaram o Ministério da Educação a mexer no calendário. Há professores que continuam sem receber itens para corrigir e as pautas só serão afixadas a 17 de Julho.
A avaliação electrónica dos exames nacionais está a provocar uma derrapagem no calendário escolar. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação reconheceu esta sexta-feira, 3 de Julho, dificuldades informáticas no processo de classificação das provas do ensino secundário e anunciou o adiamento da divulgação dos resultados e do início da segunda fase dos exames nacionais.
Segundo a tutela, ainda não está concluída a distribuição dos itens das provas por todos os professores classificadores, situação que tornou necessário ajustar os prazos da avaliação externa. Os docentes passam a ter até 14 de Julho para concluir a correcção das provas, sendo os resultados afixados a 17 de Julho, três dias depois da data inicialmente prevista.
Também a segunda fase dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário, que deveria arrancar a 16 de Julho, fica adiada para a tarde de 20 de Julho, prolongando-se até 24 de Julho. O novo calendário deverá ser divulgado ainda esta sexta-feira pelo ministério.
O problema surge no primeiro ano em que as mais de 300 mil provas realizadas pelos alunos do 11.º e 12.º anos foram digitalizadas e distribuídas electronicamente aos professores responsáveis pela classificação. O processo, apresentado como uma modernização do sistema, tem sido alvo de fortes críticas por parte de docentes, sindicatos e associações, que denunciam falhas sucessivas.
Entre os problemas relatados estão folhas de resposta em falta, exames ilegíveis ou em branco devido a falhas de digitalização, folhas de continuação não anexadas e professores a receberem provas de disciplinas que não leccionam. A plataforma MetaProf recebeu mais de 200 relatos de irregularidades associadas ao processo.
O anúncio do adiamento surge depois de o ministro da Educação ter garantido no Parlamento que nenhum aluno seria prejudicado e de ter defendido que a maioria das denúncias era falsa. Na altura, afirmou que, “do ponto de vista logístico, da distribuição dos exames e da digitalização, não houve nenhum percalço”, admitindo apenas “um caso ou outro” que não colocaria em causa o rigor do sistema.
O próprio ministério reconhece agora, em comunicado, que as dificuldades informáticas pressionaram o cumprimento do calendário inicialmente previsto. Apesar de considerar que ainda seria “tecnicamente possível” manter os prazos, a tutela optou por adiar as datas por entender que a pressão sobre os professores classificadores poderia pôr em causa a qualidade e a fiabilidade do processo.
O MECI justifica a decisão com a necessidade de garantir condições de trabalho aos professores e assegurar “o rigor e a qualidade do processo de classificação”, dimensões das quais afirma não abdicar. Caso os prazos fossem mantidos, os docentes teriam menos tempo para corrigir as provas, aumentando o risco de falhas num momento decisivo para milhares de alunos.
Na nota divulgada, o ministério lamenta os transtornos causados aos estudantes, famílias, professores e escolas, mas assegura que o calendário do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior 2026 se mantém inalterado. As candidaturas ao ensino superior arrancam a 20 de Julho.


