Nacional | 06-07-2026 13:39

Cometa vindo de fora do Sistema Solar pode ser mais antigo do que o Sol

cometa espaço ilustrativ
foto ilustrativa

Novos dados recolhidos pelo Very Large Telescope indicam que o 3I/ATLAS terá nascido nas periferias de um sistema estelar muito antigo. É apenas o terceiro visitante interestelar conhecido a atravessar o nosso Sistema Solar.

O cometa interestelar 3I/ATLAS, que atravessou o Sistema Solar e em Novembro de 2025 fez a sua maior aproximação à Terra, pode ser muito mais velho do que o Sol. A conclusão resulta de novas observações feitas com o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), que permitiram estudar a composição química deste raro visitante cósmico.
Segundo o ESO, as conclusões do estudo, publicadas na revista científica Nature Astronomy, apontam para uma origem nas regiões exteriores de um sistema estelar antigo, possivelmente formado quando o Universo era ainda jovem e pobre em elementos químicos pesados. Os cientistas admitem que o 3I/ATLAS possa ter mais do dobro da idade do Sol.
O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objecto interestelar conhecido a atravessar o Sistema Solar, depois de ‘Oumuamua e Borisov. Ao contrário dos anteriores, este cometa apresentou um brilho suficientemente intenso para permitir medições mais detalhadas da sua composição, nomeadamente dos chamados quocientes isotópicos, que revelam as quantidades relativas de diferentes formas do mesmo elemento.
Foi precisamente nessas assinaturas químicas que os investigadores encontraram pistas invulgares. O cometa revelou quocientes isotópicos de carbono e azoto anormalmente elevados, segundo Aravind Krishnakumar, investigador da Universidade de Liège e co-autor do estudo. Esses dados sugerem que o corpo celeste se formou num ambiente muito diferente daquele que deu origem ao Sol e aos planetas do nosso Sistema Solar.
A hipótese mais provável, defendem os cientistas, é que o 3I/ATLAS tenha nascido nas periferias de um disco de matéria em torno de uma estrela antiga e de baixa metalicidade, composta essencialmente por hidrogénio e hélio. Estrelas com estas características terão surgido numa fase inicial da história do Universo, quando ainda não existia a abundância de elementos químicos que hoje se observa.
A descoberta reforça a importância dos objectos interestelares como mensageiros de sistemas estelares distantes. Ao atravessarem o nosso Sistema Solar, estes corpos transportam informação sobre mundos e estrelas que, de outra forma, permaneceriam fora do alcance directo da ciência.
No caso do 3I/ATLAS, a passagem deixou uma pista particularmente impressionante: a de um cometa que poderá ter viajado durante milhares de milhões de anos antes de cruzar a vizinhança da Terra, trazendo consigo vestígios de uma época anterior ao nascimento do próprio Sol.

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