Nacional | 06-07-2026 13:31

Metade dos portugueses admite trocar a consulta médica pela inteligência artificial

AI IA inteligencia artificial
foto ilustrativa

Dados revelam que a abertura à inteligência artificial na saúde é mais expressiva entre homens, jovens e pessoas habituadas à automedicação.

Mais de metade dos portugueses admite recorrer à inteligência artificial em vez de consultar um médico, um dado que confirma a entrada da tecnologia num território até há pouco reservado quase em exclusivo à confiança directa entre doente e profissional de saúde. Segundo o STADA Health Report 2026, divulgado esta segunda-feira, 6 de Julho, 51% dos portugueses ponderam usar ferramentas de IA em substituição de uma consulta médica, ainda assim abaixo da média de 58% registada nos 20 países analisados.
Portugal surge na 15.ª posição de uma tabela liderada pelo Cazaquistão, onde 74% dos inquiridos admitem essa possibilidade, e encerrada pelo Uzbequistão, com 45%. O estudo foi realizado entre Fevereiro e Março deste ano pelo instituto internacional Human8, em nome do grupo farmacêutico STADA, e envolveu cerca de 20 mil entrevistados.
Os dados revelam que a abertura à inteligência artificial na saúde é mais expressiva entre homens, jovens e pessoas habituadas à automedicação. Ou seja, quanto maior a tendência para gerir autonomamente sintomas e decisões de saúde, maior parece ser a disponibilidade para confiar em ferramentas digitais.
Em Portugal, 30% dos inquiridos dizem usar IA para compreender diagnósticos, 22% para prevenção, 13% para preparar uma consulta, 11% para obter uma segunda opinião e 6% para apoio em saúde mental. Ainda assim, quase metade dos portugueses, 49%, afirma não utilizar inteligência artificial em matérias relacionadas com a saúde.
O relatório mostra também que 41% dos portugueses aceitariam guardar todo o seu historial e dados de saúde num sistema de inteligência artificial, com o objectivo de melhorar diagnósticos, prevenção ou tratamentos. O valor está próximo da média internacional, fixada nos 43%.
Mas a confiança na tecnologia continua a vir acompanhada de reservas significativas. A principal preocupação dos portugueses prende-se com o risco de erros ou diagnósticos incorrectos, apontado por 61% dos inquiridos, acima da média dos países analisados, que é de 54%. Seguem-se o receio de utilização indevida dos dados de saúde, referido por 46%, e a redução da interacção humana nos cuidados de saúde, apontada por 43%.
Apesar dos receios, os portugueses reconhecem vantagens na utilização da inteligência artificial. Mais de metade, 51%, acredita que a tecnologia pode contribuir para diagnósticos mais rápidos, enquanto 38% espera que facilite o acesso aos serviços de saúde, sobretudo em zonas rurais ou carenciadas. Outros 35% consideram que a IA poderá ajudar os médicos a manterem-se actualizados sobre os avanços científicos.
O estudo identifica ainda uma tendência clara: os países da Europa de Leste revelam maior abertura às consultas apoiadas por inteligência artificial do que os da Europa Ocidental. Ainda assim, os autores sublinham que a IA já entrou no quotidiano dos europeus na forma como gerem a sua saúde. No conjunto dos países analisados, 82% dos inquiridos dizem estar abertos à sua utilização nos cuidados de saúde e 55% já recorrem activamente a estas ferramentas.
A confiança, porém, continua centrada nas pessoas. O relatório indica que 77% dos europeus continuam a procurar o médico de família ou outros profissionais de saúde para tomar decisões relacionadas com a sua saúde, e cerca de oito em cada dez preferem consultas presenciais.
Num contexto de pressão crescente sobre os sistemas de saúde, os europeus assumem-se cada vez mais activos na gestão da própria saúde. O estudo refere que 78% consideram possuir conhecimentos e recursos para cuidar de si próprios e 94% recorrem à automedicação para, pelo menos, alguns problemas de saúde.
Se pudessem definir prioridades enquanto ministros da Saúde, 58% dos europeus investiriam no aumento do número de profissionais para reduzir tempos de espera, enquanto 49% reforçariam o acesso aos cuidados de saúde primários.

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