Portugueses sentem que não têm controle na própria saúde
Portugal surge no último lugar entre 20 países na percepção de controlo sobre a gestão da própria saúde, segundo o STADA Health Report 2026. Apenas 44% dos portugueses dizem sentir que têm esse domínio, muito abaixo da média internacional de 78%.
Portugal é o país onde menos cidadãos sentem ter controlo sobre a gestão da própria saúde entre os 20 analisados no STADA Health Report 2026. Apenas 44% dos portugueses inquiridos afirmam sentir que mandam na forma como gerem a sua saúde, uma percentagem que contrasta de forma gritante com a média de 78% registada no conjunto dos países abrangidos pelo estudo.
O relatório, realizado pelo instituto internacional Human8 para o grupo farmacêutico STADA, envolveu cerca de 20 mil pessoas e decorreu entre Fevereiro e Março deste ano. O Reino Unido lidera este indicador, com 89%, enquanto Portugal aparece no fundo da tabela, revelando uma fragilidade que vai além da relação individual de cada cidadão com a doença ou a prevenção.
O estudo aponta a situação financeira como um factor determinante. Pessoas com maior conforto económico tendem a sentir-se mais capazes de tomar decisões, aceder a cuidados e gerir a sua saúde com confiança. A conclusão é clara: a autonomia em saúde não depende apenas da vontade individual, mas também dos recursos disponíveis, da estabilidade económica e da capacidade de escolha.
Portugal também fica abaixo da média na satisfação com o sistema público de saúde. Segundo o relatório, 54% dos portugueses dizem estar satisfeitos com o Serviço Nacional de Saúde, ligeiramente abaixo da média de 56% dos países analisados, colocando o país na 11.ª posição. A nível europeu, a satisfação com os sistemas de saúde parece ter estabilizado depois da quebra registada no período pós-pandemia, passando de 74% em 2020 para 58% em 2025 e fixando-se agora nos 56%.
Os resultados portugueses são igualmente preocupantes na saúde mental. Apenas 57% dos inquiridos em Portugal classificam a sua saúde mental como boa, abaixo da média de 64% dos 20 países. Portugal ocupa aqui a 15.ª posição, numa tabela liderada pela Roménia, com 84%.
Apesar destes sinais, os portugueses continuam entre os povos que mais valorizam viver mais tempo. Oitenta por cento consideram importante viver o máximo de tempo possível, acima da média de 75%. Mas essa ambição esbarra nas dificuldades de acesso e funcionamento do sistema. Para 64% dos portugueses, a grande prioridade deve ser reduzir os tempos de espera, enquanto 57% defendem a melhoria do acesso aos cuidados de saúde primários.
Entre as restantes prioridades apontadas pelos inquiridos estão salários justos e melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde, reforço dos cuidados preventivos, melhoria dos cuidados aos idosos, mais apoio na área da saúde mental e melhores respostas em zonas rurais e carenciadas.
O relatório mostra ainda que Portugal é um dos países onde mais cidadãos se sentem esmagados pela informação sobre saúde. Cinquenta e oito por cento dos portugueses dizem sentir excesso de informação nesta área, contra uma média internacional de 46%, sendo apenas ultrapassados pelo Cazaquistão.


