Nacional | 05-08-2026 14:08

Vigilantes da natureza pedem revisão de acordo que extingue a carreira

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foto ilustrativa

Os vigilantes da natureza contestam o acordo que extingue a carreira, acusando o Governo de criar desigualdades entre trabalhadores e de penalizar os profissionais mais antigos.

Noventa vigilantes da natureza assinaram uma carta dirigida à ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, a pedir a revisão do acordo que extingue a carreira de vigilante da natureza e cria a figura do Guarda Florestal e Ambiental.
Os subscritores contestam o fim da designação de vigilante da natureza, existente há décadas e pela qual são conhecidos nas áreas protegidas e na Rede Natura 2000. As principais preocupações prendem-se, contudo, com o acordo, que consideram colocar em causa a carreira, a igualdade entre trabalhadores e criar "disparidades de vencimento, do subsídio de risco, da idade da reforma e do posicionamento na carreira".
Na carta enviada à ministra, os vigilantes afirmam que o acordo, celebrado em Junho de 2026, contém situações de "manifesta desigualdade entre trabalhadores da mesma carreira" e desvaloriza o percurso profissional, penalizando sobretudo os trabalhadores com maior antiguidade.
Os trabalhadores recordam que a carreira não é revista há cerca de 20 anos e sublinham que o sistema de pontos, conhecido como "acelerador de carreira", deixa de produzir efeitos ao abrigo do novo acordo. Acrescentam que profissionais com até 35 anos de serviço passam a auferir remunerações próximas das de quem inicia agora a carreira.
Em síntese, os subscritores consideram que o acordo representa uma quebra de confiança relativamente ao regime de aposentação, introduz desigualdades no suplemento de risco e desvaloriza a experiência profissional, apelando por isso à sua revisão.
Rui Vaz, vigilante da natureza desde 1990 e porta-voz dos subscritores da carta, explicou à agência Lusa que o acordo prevê a fusão entre os guardas florestais e os vigilantes da natureza. Os primeiros serão integrados, em parte, na GNR e, noutra parte, na nova estrutura, que passará a designar-se Guarda Florestal e Ambiental.
O acordo será discutido numa reunião marcada para as 15h00, que junta representantes sindicais e o Governo, representado pelo ministro da Administração Interna e pelos secretários de Estado da Protecção Civil, do Ambiente, das Florestas e da Administração Pública.
Os vigilantes da natureza foram criados em 1987 e os primeiros profissionais entraram em funções no ano seguinte. No entanto, desde a década de 1970, com a criação dos parques naturais, já existia uma profissão com funções semelhantes.

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