Nacional | 06-08-2026 10:50

Alegado conflito de interesses nos serviços hospitalares anulou negócios de milhões

Alegado conflito de interesses nos serviços hospitalares anulou negócios de milhões

Três contratos no valor global de 1,28 milhões de euros foram anulados na sequência de um alegado conflito de interesses no Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), caso que está agora a ser analisado pela IGAS e pela comissão de combate à fraude no SNS.

A Inspecção-Geral da Saúde e a comissão de combate à fraude do SNS estão a analisar um alegado conflito de interesses nos serviços hospitalares que já levou à anulação de negócios no valor de 1,28 milhões de euros.
Segundo noticiou a CNN Portugal, uma dirigente dos serviços hospitalares assinava contratos milionários “dos dois lados da mesa” e a sobreposição de funções levou à declaração de nulidade de três negócios, numa situação considerada pelo Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) como um “conflito de interesses grave e estrutural”.
A informação divulgada pelo canal explica que a dirigente da instituição representava, ao mesmo tempo, a empresa que recebeu as adjudicações.
O caso surge numa altura em que decorre uma auditoria da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) ao SUCH, a entidade responsável por assegurar vários serviços essenciais ao funcionamento dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), e averiguações da estrutura de combate à fraude no SNS, liderada pelo juiz Carlos Alexandre.
A CNN Portugal explica que o alegado conflito resulta de uma “teia de relações” entre três entidades: o SUCH, que contratava serviços à NEOVALOR, uma das suas maiores fornecedoras, e, ao mesmo tempo, detinha integralmente a EAS - Empresa de Ambiente na Saúde -, que, por sua vez, participava no capital da NEOVALOR.
No centro deste circuito estava uma funcionária que, além de exercer funções como adjunta da Direcção Regional do Norte e directora do Serviço de Comunicação do SUCH, era gerente única da EAS e tinha uma procuração que lhe conferia poderes para representar a NEOVALOR nos contratos celebrados com o próprio SUCH.
Na prática, a mesma dirigente ocupava posições nos vários níveis de um circuito contratual: exercia funções na entidade que adjudicava, dirigia a empresa do universo SUCH ligada à fornecedora e tinha poderes para representar a empresa que recebia os contratos, refere a CNN Portugal.
Foi esta sobreposição que levou o Conselho de Administração do SUCH a concluir que existia uma situação “grave, estrutural e objectivamente incompatível com os deveres de imparcialidade e separação funcional exigíveis na contratação pública”, acrescenta.
À CNN Portugal, o Ministério da Saúde não se pronunciou sobre os assuntos que estão a ser analisados pela IGAS e pela comissão de combate à fraude, mas considera que a decisão de declarar nulos os actos de assinatura demonstra que “neste momento os mecanismos de prevenção de conflitos de interesses estão a funcionar”.

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