Calor intenso antecipa vindima em várias regiões
No Alentejo e Ribatejo, por exemplo, há quem tenha começado a vindima no final de Julho.
Os períodos de calor intenso que se têm sentido no país levaram a vindima, cujo início tradicionalmente tinha lugar em Setembro, a ser antecipada em algumas regiões. No Alentejo, por exemplo, as colheitas começaram em Jullho. "A data da vindima varia bastante entre regiões, castas e parcelas. Ainda assim, temos observado uma tendência de antecipação em várias regiões, associada, sobretudo, ao aumento das temperaturas e à maior frequência de períodos de calor intenso, que aceleram a maturação da uva”, referiu o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, em resposta à Lusa.
No Douro verificou-se uma antecipação das vindimas na ordem de uma a duas semanas. Já nas regiões mais quentes, como o Tejo e o Alentejo, a colheita começou durante as últimas semanas de Julho.
Contudo, a associação lembrou que mais do que manter a data da colheita é importante colher cada parcela quando “existe o equilíbrio adequado entre maturação, acidez, açúcar e perfil aromático”. Frederico Falcão disse que as alterações climáticas obrigam a uma monitorização da vinha cada vez mais rigorosa, bem como a decisões mais rápidas.
Por outro lado, é necessário fazer uma utilização mais eficiente da água, uma gestão criteriosa do solo e ter uma maior precisão na escolha na data da vindima e de práticas que permitam proteger os cachos.
"Se há uns anos era prática comum deixar os cachos mais expostos para que a maturação fosse mais rápida, hoje faz-se o contrário, deixando os cachos protegidos pela folhagem das videiras. As soluções dependem de cada região e de cada exploração”, explicou.
Segundo dados da ViniPortugal, o país conta com mais de 250 castas autóctones identificadas, com comportamentos diferentes face ao calor, à seca e ao stress hídrico.


