Nacional | 29-08-2026 13:56

Ambientalistas contra retomar da opção nuclear

Ambientalistas contra retomar da opção nuclear

Geota (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente), Quercus e Zero, convergem na ideia de que a aposta deve ser nas renováveis.

Várias organizações ambientalistas portuguesas rejeitam o nuclear como recurso energético no mundo, mesmo centrais de nova geração, dizem que é menos eficiente que as energias renováveis, e apontam os custos como um dos principais entraves. A propósito de um retomar de investimento na energia nuclear no mundo, a Lusa questionou as organizações ambientalistas Geota (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente), Quercus e Zero, com todas a coincidirem na ideia de que a aposta deve ser nas renováveis e a condenarem o nuclear como solução para a falta de energia.

A mesma posição é também defendida por organizações ambientais da Europa, como a “European Environmental Bureau” (EEB) ou a “Climate Action Network Europe” (CAN Europe), que juntam organizações de ambiente de dezenas de países europeus. Para todos, nacionais e internacionais, a prioridade deve ser a eficiência energética, as energias renováveis e o armazenamento.

A Quercus é perentória a afirmar que a energia nuclear não pode ser apresentada como melhor solução para os problemas energéticos mundiais “desde logo pelos grandes impactos ambientais”. Segundo a associação, é preciso considerar todo o ciclo de vida de uma central, da mineração e enriquecimento do urânio à construção, à produção, e depois aos resíduos e ao desmantelamento. Tudo junto, as emissões de dióxido carbono “são muito superiores às associadas às tecnologias renováveis de produção eléctrica”.

Já o Geota aponta os custos elevados como uma das razões para dizer “não” ao nuclear. “São muito superiores aos da eólica e solar, mesmo quando estas são combinadas com armazenamento”, diz Miguel Macias Sequeira, vice-presidente da organização. A resposta para a falta de energia passa, diz, por uma combinação de redução da procura, eficiência energética, electrificação, energias renováveis, armazenamento, redes e outras soluções adequadas ao contexto de cada país. A energia nuclear “surge muito abaixo na lista de prioridades”.

A associação também questiona o “renascimento nuclear”, porque se há notícias de mais 15 reactores este ano, correspondentes a 12 GW (gigawatts) também as há de mais 800 GW de capacidade instalada de renováveis em 2025.

Opinião idêntica à da associação Zero, que considera a “renascença nuclear” uma “narrativa”, com novos reactores mas outros que deixaram de operar ou que estão em fase final de funcionamento. A Zero destaca também dados que indicam que a eólica 'onshore' e o solar fotovoltaico são as fontes mais baratas de produção de energia, com a nuclear a ser mais cara, além de as centrais demorarem 10 a 20 anos a serem construídas. O presidente da Zero, Francisco Ferreira, lembra que os compromissos de descarbonização assumidos para 2030 e 2050 exigem reduzir emissões rapidamente e isso não acontece com o nuclear, pelos prazos de construção e licenciamento, concluindo que “investir tempo e capital num reactor que só estará pronto daqui a quinze ou vinte anos atrasa, não acelera, a descarbonização”.

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