Nacional | 02-09-2026 10:34

Mais de 2.600 horários de professores continuam por preencher nas escolas

Mais de 2.600 horários de professores continuam por preencher nas escolas

Milhares de aposentações anuais obrigam o Ministério da Educação a recorrer a horas extraordinárias, desdobramento de turmas e outras soluções para assegurar que nenhum aluno da escolaridade obrigatória fica sem aulas.

A falta de professores vai continuar a afectar as escolas portuguesas durante os próximos anos, reconheceu o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, numa altura em que permanecem por preencher milhares de horas lectivas.
“A falta dos professores, nós vamos tê-la durante alguns anos”, admitiu o governante, salientando que cerca de quatro mil docentes se reformam anualmente.
As declarações surgiram no mesmo dia em que a Federação Nacional de Professores (Fenprof) denunciou a existência de 2.650 horários em oferta de escola por preencher, correspondentes a mais de 50 mil horas.
Fernando Alexandre sustenta, no entanto, que o Ministério dispõe de mecanismos para evitar que a ausência de docentes deixe alunos sem aulas. Entre as soluções estão o pagamento de horas extraordinárias a professores e o desdobramento de horários.
Segundo o ministro, apenas no primeiro semestre de 2026 foram pagos 20 milhões de euros em horas extraordinárias a docentes que asseguraram aulas de colegas ainda não substituídos devido a aposentação ou doença.
“Nós teremos sempre todos os anos e ao longo do ano lectivo falta de professores”, afirmou Fernando Alexandre, justificando a situação com as aposentações, baixas por doença e a própria dimensão da escola pública portuguesa.
Paralelamente às soluções encontradas para responder às necessidades imediatas, o Governo está a apostar no aumento da formação de docentes, nomeadamente através de protocolos com instituições de ensino superior.
O problema é particularmente difícil no primeiro ciclo. Segundo a Fenprof, existem 378 horários completos por preencher neste nível de ensino, uma situação que Fernando Alexandre reconheceu ser mais complicada de resolver.
Nestes casos, explicou, as escolas têm procurado soluções com a colaboração dos municípios, recorrendo, quando necessário, ao desdobramento de turmas ou à constituição de turmas com o número máximo de alunos permitido.
O ministro assegurou que a prioridade é impedir que alguma criança ou jovem abrangido pela escolaridade obrigatória fique sem resposta. “O que temos que garantir é que não há nenhum aluno na escolaridade obrigatória que fique de fora”, afirmou.

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