Nacional | 03-09-2026 10:51

Só quatro dos 40 processos de indemnização do acidente da Glória estão concluídos

Só quatro dos 40 processos de indemnização do acidente da Glória estão concluídos

Um ano depois do descarrilamento que provocou 16 mortos e 24 feridos, as investigações às causas e responsabilidades continuam em curso e Lisboa assinalou hoje a tragédia com a inauguração de um memorial às vítimas.

Passado um ano, dos 40 processos de indemnização a familiares das vítimas mortais e a sobreviventes do acidente com o ascensor da Glória encontram-se concluídos apenas quatro, segundo a seguradora da Carris, a Fidelidade.
A seguradora adiantou que estão actualmente em negociação outros sete processos, enquanto “uma situação segue os respectivos trâmites judiciais, após não ter sido possível, até ao momento, alcançar acordo”.
“Existe uma outra vítima mortal que está a ser regularizada exclusivamente em sede de acidentes de trabalho à qual estão a ser pagas pensões provisórias que se manterão até que esteja concluído o processo no tribunal do trabalho”, indicou a Fidelidade.
Nos restantes três casos relativos a vítimas mortais, ainda não foi possível apresentar uma proposta indemnizatória definitiva devido à necessidade de “documentação indispensável e das especificidades legais dos países envolvidos”.
Quanto aos 24 feridos, todos “permanecem sem a sua situação clínica definitivamente consolidada”, informou a seguradora, explicando que a avaliação indemnizatória definitiva apenas poderá ser feita quando existir estabilização clínica, para “determinar, de forma adequada, a extensão das eventuais sequelas e dos danos sofridos”.
O histórico ascensor da Glória descarrilou em 03 de Setembro de 2025, pelas 18h03, numa tragédia que provocou 16 mortos e 24 feridos, sobretudo turistas estrangeiros, e envolveu cidadãos de 15 nacionalidades.
Entre as vítimas mortais estavam cinco portugueses, incluindo o guarda-freio André Marques, que operava uma das cabines do equipamento gerido pela empresa municipal Carris, e quatro trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que utilizavam o transporte público.
As restantes vítimas mortais eram três britânicos, dois sul-coreanos, um canadiano, um suíço, um cidadão com nacionalidade canadiana e marroquina, um ucraniano, um norte-americano e um francês.
Entre os feridos estavam cidadãos de nacionalidade portuguesa, espanhola, israelita, brasileira, italiana, francesa, alemã, sul-coreana, suíça, cabo-verdiana, marroquina e britânica.
Em 140 anos de história, este foi o pior acidente envolvendo o ascensor da Glória, classificado como Monumento Nacional e que liga a Praça dos Restauradores ao Jardim de São Pedro de Alcântara, num percurso de 276 metros e com um desnível acentuado.
As investigações do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) e do Ministério Público às causas e responsabilidades do acidente continuam em curso, prevendo ambas as entidades ter conclusões “até ao final do primeiro trimestre de 2027”.
No dia em que se assinala um ano da tragédia, a Câmara Municipal de Lisboa inaugurou um memorial de homenagem às vítimas no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, onde ocorreu o acidente.
A composição integra uma oliveira com 150 anos, rodeada por 16 blocos de calcário com “alturas diferenciadas e superfícies preparadas para gravação dos nomes das vítimas”.
Também o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP) promove hoje uma acção de homenagem a todas as vítimas, com particular destaque para o guarda-freio André Marques, através da deposição de uma coroa de flores ao fundo da Calçada da Glória.

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