Nacional | 08-09-2026 16:38
Escola portuguesa não consegue travar desigualdades socioeconómicas
A origem familiar continua a pesar no sucesso escolar dos alunos portugueses, com um fosso de 92 pontos em Ciências entre os mais favorecidos e os mais carenciados. Portugal contraria a tendência de redução das desigualdades registada na OCDE.
As desigualdades socioeconómicas nas escolas portuguesas não diminuíram nos últimos anos, ao contrário da tendência registada na média dos países da OCDE, revela o maior estudo internacional sobre educação.
A origem das famílias continua a ter muito peso no sucesso académico dos alunos portugueses, segundo o Programme for International Student Assessment (PISA), que envolveu mais de 760 mil alunos de 91 países e economias, entre os quais quase sete mil jovens de 225 escolas portuguesas.
Os resultados dos portugueses de 15 anos avaliados no ano passado revelam que estão mais fracos a Matemática, Leitura e Ciências, as três disciplinas avaliadas.
Além disso, aumentou o fosso que separa os alunos mais favorecidos dos mais carenciados: os alunos do grupo dos 25% socioeconomicamente mais favorecidos obtiveram mais 92 pontos em Ciências do que os 25% mais desfavorecidos, quando a média nacional foi de 482 pontos.
Os investigadores sublinham que, entre 2015 e 2025, esta diferença entre alunos permaneceu estável em Portugal, não acompanhando a tendência de convergência entre os dois grupos registada na OCDE.
Em Portugal parece também ser mais difícil ter alunos com desempenhos de excelência, uma vez que apenas 6% dos estudantes portugueses são ‘top performers’ em Ciências; apenas 6% são alunos de excelência a Matemática e 3% a Leitura. Mais uma vez, estes valores estão abaixo da média da OCDE.
Os alunos portugueses faltam pouco às aulas, mas chegam muitas vezes atrasados: apenas 7% dos alunos faltaram pelo menos um dia às aulas nas duas semanas anteriores ao teste (na OCDE, a média é de 22%) e 12% faltaram a pelo menos uma aula, o que representa cerca de metade da realidade dos países da OCDE.
No entanto, a maioria dos alunos (56%) admitiu chegar atrasada à escola, quando em 2022 eram 48%.
Em casa, os alunos dizem contar menos com o apoio dos pais, que perguntam menos sobre o que fizeram na escola (passou de 84% para 73% nos últimos três anos) e também conversam menos sobre problemas escolares. Neste caso, esta é uma redução que acompanha a tendência registada em quase todos os países da OCDE inquiridos no PISA 2025.
O estudo divulgado também traz boas notícias: os portugueses continuam a ser alunos curiosos e perseverantes, acima da média da OCDE, e procuram ajuda de professores e funcionários, numa escola onde ainda há casos de bullying, mas abaixo da média da OCDE.
Cerca de 14% dos alunos portugueses dizem sofrer alguma forma de bullying, contra 20% na OCDE, lê-se no estudo.
Cerca de 29% estão em escolas onde a falta de materiais é considerada um obstáculo ao ensino e 37% onde as infra-estruturas são apontadas como problema, mas os dois indicadores também melhoraram ligeiramente desde 2022.
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