Ministra da Justiça recusa mentiras na polémica da destruição de químicos pela PJ
Rita Alarcão Júdice garante que ninguém mentiu sobre os 144 mil euros destinados à destruição de químicos apreendidos na operação Pacoba. A ministra da Justiça reconhece, porém, que recebeu informação errada dos serviços da Polícia Judiciária.
ministra da Justiça disse hoje, no Parlamento, que ninguém mentiu em relação à informação sobre a destruição de químicos apreendidos na operação Pacoba e que pediu esclarecimentos directamente ao director nacional da Polícia Judiciária.
A propósito de uma audição pedida pelo Chega, Rita Alarcão Júdice sublinhou aos deputados que “não houve qualquer mentira, ninguém mentiu” em relação aos 144 mil euros pedidos para a destruição de químicos pela PJ.
Na semana passada, o Ministério da Justiça disse que o valor abrangia mais processos do que o do atrelado apreendido, contrariando o que o ministro da Administração Interna e ex-director nacional da PJ, Luís Neves, tinha dito em Julho, quando explicou que tomou a decisão de autorizar a ida do atrelado apreendido, com os respectivos materiais, para destruição nas instalações da Construbarcelos.
“Houve uma informação que me foi veiculada pelos serviços da Polícia Judiciária”, referiu Rita Alarcão Júdice, acrescentando que pediu ao director nacional da PJ, Carlos Cabreiro, “para assumir pessoalmente a responsabilidade de apurar ponto por ponto o que está a passar e qual é a informação que tem que ser dada”.
O Ministério da Justiça está “a apurar com maior detalhe o que é que se está a passar”, apontou, e aguarda a confirmação de que todos os materiais indicados no orçamento para destruição correspondem apenas aos que foram apreendidos no âmbito da operação Pacoba.
Neste momento, acrescentou a responsável pela pasta da Justiça, a informação que existe é a de que os materiais serão apenas da operação Pacoba, “com uma nuance: é muito mais material do que o material que estava na galera, como é natural”. “E daí, provavelmente, tenha estado na origem da informação errada que recebi da parte da Polícia Judiciária”, justificou hoje na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
O atrelado com químicos apreendidos num processo de tráfico de droga é uma das polémicas que envolvem os mandatos do actual ministro da Administração Interna à frente da PJ.
Por decisão de Luís Neves, que a considerou um “puro acto de boa gestão”, o atrelado foi entregue a um empreiteiro de Barcelos, João Carvalho, de quem Neves reconheceu ser amigo. O empresário ganhou 17 empreitadas de obras na PJ e foi contratado pelo actual ministro para realizar obras, a título pessoal, numa propriedade sua em Odemira, no Alentejo.
O caso do atrelado é actualmente alvo de um inquérito criminal pelo Ministério Público, um dos três que envolvem Luís Neves, confirmou o procurador-geral da República.
Estão também em curso auditorias à PJ que abrangem maioritariamente o período em que foi liderada por Luís Neves. Uma delas é interna e foi pedida pelo sucessor de Neves, Carlos Cabreiro. A outra é conduzida pela Inspecção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ), cujas conclusões a ministra já apontou para o final do ano.


