Nacional | 10-09-2026 11:33

Linha de Prevenção do Suicídio recebeu mais de 25 mil chamadas no primeiro ano de funcionamento

Linha de Prevenção do Suicídio recebeu mais de 25 mil chamadas no primeiro ano de funcionamento

As mulheres e os jovens entre os 18 e os 29 anos são quem mais procura a Linha Nacional de Prevenção do Suicídio. No primeiro ano de actividade, o serviço recebeu cerca de 25.600 chamadas.

A Linha Nacional de Prevenção do Suicídio recebeu cerca de 25.600 chamadas no primeiro ano de actividade, das quais quase 700 correspondiam a situações de risco iminente de suicídio, avançou à Lusa o coordenador clínico do serviço.
As mulheres e os jovens entre os 18 e os 29 anos foram quem mais procurou a linha 1411, que entrou em funcionamento em 10 de Setembro de 2025, data que assinala o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, disse José Carlos Santos.
Para o responsável, o número de chamadas recebidas é «bastante considerável», tendo em conta que é um serviço novo e que ainda há pessoas que desconhecem a linha, que funciona em permanência e é assegurada por cerca de 70 psicólogos clínicos e enfermeiros de saúde mental, com formação em suicidologia.
A linha atendeu perto de 80% das chamadas, o que o coordenador considerou ser «um bom indicador e compara muito bem com indicadores internacionais», e o tempo médio de espera ronda os 50 segundos, havendo chamadas atendidas em cerca de 10 segundos e outras até três minutos.
As mulheres representam cerca de 60% das pessoas que contactam a linha, enquanto os homens correspondem a 40%. O maior número de chamadas concentra-se entre os 18 e os 29 anos, grupo que representa mais de 40% dos contactos.
O responsável alertou para a menor procura da linha por parte dos homens, associando-a à maior dificuldade que estes poderão ter em expressar emoções e pedir ajuda, mas realçou que «pedir ajuda não é nenhuma fraqueza» e que reconhecer a necessidade de apoio pode ser «um acto de inteligência» e de autoconhecimento.
Deixou também uma mensagem dirigida às pessoas mais velhas, afirmando que no serviço encontram profissionais preparados para ouvir, em condições de confidencialidade, e para encaminhar os casos sempre que necessário.
Entre os motivos identificados nas chamadas estão sobretudo sintomatologia relacionada com ansiedade e depressão, mas também ideação suicida e conflitos relacionais e familiares. Há ainda pessoas que ligam porque estão preocupadas com um amigo ou familiar que pode estar em sofrimento, para saber «como é que podem ajudar, o que não devem dizer e o que podem fazer».
A linha, coordenada pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, registou um primeiro pico em Novembro e Dezembro, com especial incidência na época do Natal, e outro, de maior dimensão, durante Julho e Agosto.
O responsável enquadrou a procura da linha num contexto mais amplo de saúde mental, lembrando o último estudo epidemiológico nacional que indica que perto de 25% da população teria um problema de saúde mental.
Apesar disso, Portugal apresenta uma taxa de suicídio que classificou como não muito elevada, de cerca de 10 mortes por 100 mil habitantes, com maior reflexo nos idosos e «com um valor quase residual nos adolescentes, abaixo de 5 por 100 mil».
O coordenador destacou, contudo, a necessidade de trabalhar com os adolescentes na prevenção devido ao risco de fenómenos de imitação ou contágio após um suicídio, mas também com os idosos para combater fenómenos de isolamento, solidão e doença mental.

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