PCP marca para 17 de setembro dia de protesto pelo aumento dos salários e controlo de preços
O PCP marcou para dia 17 de Setembro, a próxima quinta-feira, um dia de protesto contra o aumento do custo de vida, pelo aumento dos salários e das pensões e pelo controlo de preços.
Esta iniciativa foi anunciada pelo dirigente comunista Vasco Cardoso, numa conferência de imprensa, na sede nacional do PCP, em Lisboa, em que contestou a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de subir, pela segunda vez neste ano, as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,50%.
"No âmbito do lançamento de uma grande campanha nacional que o PCP desenvolverá a partir do dia 17 de Setembro, queremos marcar esse dia com um conjunto de iniciativas, tribunas públicas, buzinões, acções de contacto, para deixar bem vincado, não apenas o posicionamento do PCP, mas uma rejeição mais geral a este rumo de afundamento nacional para onde nos conduz, quer a política do Governo, quer as decisões do BCE como aquela que foi hoje tomada", declarou.
Será o início de uma jornada nacional sob o lema "Romper com as injustiças, novo rumo para Portugal, uma vida melhor", de protesto "contra o aumento do custo de vida e de exigência de resposta no aumento dos salários e pensões e no controlo dos preços", referiu o dirigente da Comissão Política do Comité Central do PCP.
"A decisão do BCE, supostamente para prevenir valores mais altos de inflação provocada especialmente pelo aumento dos preços de energia, é, em nosso entender, errada. Penaliza, como sempre faz, os trabalhadores e as suas famílias pelos impactos de uma guerra que, seja no Médio Oriente, seja no Leste da Europa, é alimentada pelas próprias instituições da União Europeia", comentou.
Segundo o PCP, a decisão do BCE põe "os trabalhadores e os povos a pagar as opções da escalada de confrontação que o imperialismo norte-americano promove, com apoio da UE, mas também com o apoio do Governo PSD e CDS e dos que em Portugal se alinham com os tambores da guerra".
Como resposta ao aumento do custo de vida, e perante "os lucros escandalosos" das empresas petrolíferas, da grande distribuição alimentar e da banca, o PCP reivindica "outra política", que passa pelo "aumento geral dos salários, incluindo do salário mínimo nacional" e pelo "aumento intercalar de todas as pensões em 50 euros, com retroactivos a partir de Julho".
Por outro lado, o PCP quer "a intervenção do Governo e da Caixa Geral de Depósitos para impor a redução dos juros e comissões bancárias" e "a regulação das rendas de casa", bem como "a regulação dos preços dos combustíveis" e "a fixação do preço do gás de botija nos 20 euros".
Entre outras medidas, o PCP quer também "o IVA a 6% na energia, bem como a regulação dos preços dos bens alimentares essenciais", e "apoios a fundo perdido aos sectores económicos mais atingidos pelo aumento dos preços dos combustíveis e gás".
"Da parte do PCP, não só transformaremos estas exigências em propostas na Assembleia da República, como já tomámos a iniciativa de propor um debate no Parlamento Europeu sobre o aumento das taxas de juros, e vamos também promover acções de esclarecimento e protesto face ao agravamento do custo de vida", afirmou Vasco Cordeiro.
Interrogado sobre as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, na terça-feira, o dirigente do PCP criticou a opção por um suplemento extraordinário para os pensionistas em vez de um aumento "a consolidar no valor das pensões", e quanto à redução do IRS disse que o seu partido aguarda "o desenho" dessa medida.
"Mas nós temos tido muitas alterações no IRS. Os salários é que continuam baixos. E acho que essa é a questão fundamental que nos está colocada: nós precisamos de um aumento significativo dos salários, particularmente o salário mínimo nacional", acrescentou.
Vasco Cordeiro sustentou que o Governo PSD/CDS-PP está "ao serviço dos grupos económicos" e "tudo fará para limitar o aumento dos salários", e defendeu que essa terá de ser uma "luta dos trabalhadores, seguramente com a acção e iniciativa do PCP".


