Nacional | 16-09-2026 13:08
Vítimas de abusos na Igreja querem fim dos prazos de prescrição
Associação Coração Silenciado vai pedir ao Presidente da República que pressione o Estado a rever o processo de compensações às vítimas e a acabar com a prescrição dos crimes de abuso sexual de menores.
A associação Coração Silenciado, que representa vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica, vai entregar ao Presidente da República um dossiê sobre o processo de compensações e defender uma auditoria à forma como foram analisados e indemnizados os casos.
A associação considera ainda que Portugal deve acabar com os prazos de prescrição dos crimes de abuso sexual de menores. “O trauma não prescreve na cabeça e no corpo das vítimas”, afirma o porta-voz, António Grosso, lembrando que muitas pessoas só conseguem revelar os abusos 30 ou 40 anos depois.
Segundo a associação, apenas 57 vítimas terão recebido compensações, apesar de a Comissão Independente ter estimado em 4.815 o número de pessoas abusadas no contexto da Igreja Católica nas últimas décadas.
António Grosso critica também a forma como decorreu o processo de atribuição das indemnizações, considerando que algumas vítimas foram sujeitas a longas entrevistas e impedidas de conhecer os relatórios elaborados sobre os seus próprios casos.
A Coração Silenciado defende ainda que o Estado tem responsabilidades, uma vez que muitas crianças vulneráveis foram, no passado, encaminhadas por serviços públicos para instituições religiosas sem que existisse fiscalização adequada.
As compensações atribuídas pela Igreja variaram entre nove mil e 45 mil euros. A Conferência Episcopal Portuguesa estimou em cerca de três milhões de euros os encargos com investigações internas, apoio às vítimas e indemnizações.
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