Aumento nos combustíveis angustia instituições sociais e ameaça continuidade de apoios
Para reduzir despesas, a instituição já reviu os quatro circuitos nocturnos, diminuindo a distribuição de ceias nos locais onde outras organizações também prestam apoio alimentar.
A Comunidade Vida e Paz está angustiada com o aumento dos combustíveis e admite reduzir serviços e trabalhadores, enquanto a Refood enfrenta custos crescentes que podem comprometer a distribuição de alimentos a famílias carenciadas, alertaram responsáveis das duas instituições. Em declarações à Lusa, a directora-geral da Comunidade Vida e Paz (CVP), Renata Alves, explicou que o aumento do preço dos combustíveis agravou as dificuldades financeiras da instituição, que tem mais de 20 viaturas e registou uma subida de 11% nos custos com combustível desde o início do ano, face ao período homólogo.
A instituição, que apoia mais de 900 pessoas através de cerca de 22 respostas sociais, já tinha começado a reduzir despesas no primeiro trimestre, mas o agravamento dos custos obrigou a equacionar novas medidas, incluindo a redução de serviços e trabalhadores.
“Podemos vir a ter que prescindir de alguns serviços ou algumas respostas de alguns profissionais que já temos vindo a prescindir”, admitiu Renata Alves, alertando para as consequências na qualidade da intervenção.
A CVP acompanha diariamente entre 450 e 500 pessoas em situação de sem-abrigo, através das voltas da noite, em Lisboa, além de apoiar famílias vulneráveis e pessoas em tratamento ou reinserção social.
Para reduzir despesas, a instituição já reviu os quatro circuitos nocturnos, que abrangem cerca de 100 pontos da capital, diminuindo a distribuição de ceias nos locais onde outras organizações também prestam apoio alimentar.
Renata Alves explicou que as voltas da noite representam um investimento anual superior a 400 mil euros e não têm financiamento público, dependendo exclusivamente de donativos de particulares e empresas.


