Quercus defende controlo dos javalis com medidas além da caça
A Quercus quer que o Governo adopte um plano de acção para controlar o aumento dos javalis e não se limite a incentivar o seu abate. A organização aponta a perda do habitat natural e a regressão do lobo-ibérico como factores que contribuem para a dispersão dos animais.
A organização ambientalista Quercus defendeu a criação de um plano “estruturado e abrangente” para controlar o aumento de javalis nas zonas urbanas, considerando insuficiente o projecto-piloto do Governo de incentivo ao abate.
“A gestão populacional do javali em Portugal deve ser enquadrada, na opinião da Quercus, através de um Plano de Acção estruturado e abrangente, com medidas multisectoriais que abordem a raiz do problema e apresentem resultados a longo prazo”, refere a associação, em comunicado.
A posição da organização ambientalista surge numa altura em que se têm registado problemas em diferentes regiões do país, como danos na agricultura e acidentes rodoviários, devido à presença dos javalis.
A associação considera que “antes de pagar pelo abate dos animais, é preciso saber se e onde existem efectivamente densidades excessivas”, sublinhando que o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) fala em “correcção de densidade”, pelo que pagar por cabeça e abater o maior número possível de animais não significará necessariamente um resultado eficaz e uma redução dos prejuízos.
Para combater os prejuízos causados pela presença dos javalis, a Quercus avança com medidas “que podem e devem ser implementadas”, como o investimento na protecção das culturas agrícolas, a necessidade de garantir que as compensações aos agricultores afectados são justas e estão a ser pagas e a adopção de estratégias que visam uma caça sustentável.
“Se a caça é apresentada como instrumento de gestão populacional, é necessário avaliar também o seu efeito sobre a população e os danos no ecossistema e na biodiversidade, e não apenas apresentar o número total de animais abatidos”, referiu a organização, que também quer saber se a densidade populacional do javali vai ser quantificada antes e depois da implementação do projecto-piloto.
O Governo vai lançar um projecto-piloto, que se baseia num incentivo para combater o aumento da densidade populacional dos javalis em 60 concelhos do país, através do pagamento pelo abate de machos (50 euros) e fêmeas (70 euros), segundo a Quercus, uma organização não governamental e sem fins lucrativos.
“Pagar por cabeça e abater o maior número possível de animais não significará necessariamente um resultado eficaz e uma redução dos prejuízos”, considera a Quercus, frisando que “vê com cautela a criação do projecto-piloto de incentivo ao abate de javalis, na medida em que acaba por tratar a consequência em vez de lidar com as causas”.
Segundo a Quercus, a “regressão histórica do lobo-ibérico, um predador natural do javali, em grande parte do território português é um dos factores-chave que explica a aparente maior densidade populacional e dispersão geográfica do javali”.
Outro factor que também contribui para a dispersão do javali está, de acordo com a organização, relacionado com “o abandono progressivo da gestão do território e a diminuição do habitat natural disponível”, uma vez que, com menos recursos disponíveis nos ecossistemas naturais, os animais procuram alimento noutros locais, invadindo explorações agrícolas ou até mesmo contentores de resíduos urbanos.


