Nacional | 13-10-2026 12:54

Sindicato dos Jornalistas afirma que invasão de estúdio de rádio pelo Chega é crime

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foto ilustrativa

A invasão do estúdio da Rádio Universidade de Coimbra por membros do Chega, liderados por duas deputadas, levou o Sindicato dos Jornalistas a exigir medidas exemplares. O sindicato considera o episódio um acto grave contra a democracia e espera a intervenção do Ministério Público.

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) repudiou hoje a invasão do estúdio da Rádio Universidade de Coimbra (RUC) por membros do Chega, considerando que o acto configura um crime e esperando que o Ministério Público abra um inquérito.
“O Sindicato dos Jornalistas repudia o inaceitável e antidemocrático acto de um grupo de cerca de 30 pessoas, liderado por duas deputadas do Chega, que invadiu a redacção da Rádio Universitária de Coimbra, insultou e atemorizou estudantes, funcionários e jornalistas e obrigou à interrupção de uma emissão em directo”, afirmou, em comunicado.
Para o SJ, a invasão, que decorreu na manhã de segunda-feira, “é um acto hostil, logo configura uma agressão, que é punível por lei”.
No comunicado, o Sindicato dos Jornalistas mostra-se convicto de que não será necessário apresentar queixa “para que o Ministério Público proceda de acordo com a legislação, porque invadir a redacção de um OCS [órgão de comunicação social] é não só um acto hostil como um acto extremamente grave contra a democracia”.
Face à actuação do Chega, num acto liderado pelas deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro, o SJ vai “escrever à Polícia de Segurança Pública a perguntar que medidas tomou para proteger as pessoas que estavam na redacção da RUC e se foi identificado o grupo invasor”.
O SJ defende “medidas exemplares”, temendo que a actuação de segunda-feira tenha sido “um balão de ensaio e que o caso se repita sempre que elementos deste partido, ou de outro, se sintam injustiçados”.
“Não podemos tolerar invasões a redacções, intimidações a jornalistas ou qualquer outro tipo de violência. Não são comportamentos dignos numa sociedade democrática”, vincou.
O Sindicato dos Jornalistas aguarda ainda para ver se a Comissão de Integridade da Assembleia da República “vai tomar alguma medida em relação às duas deputadas, que menorizaram e desrespeitaram o importante papel que deve caber aos deputados na sociedade portuguesa”.
Vários membros do Chega, incluindo as deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro, invadiram na manhã de segunda-feira o estúdio da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), em protesto contra a proibição de entrada de elementos do partido no edifício da Associação Académica de Coimbra (AAC).
No estúdio da RUC, situado no edifício da AAC, decorria um novo programa de debate político, no qual participariam representantes das juventudes partidárias dos partidos com assento na Assembleia da República.
O Chega também tinha sido convidado a participar no novo programa, mas por via remota, devido à decisão, aprovada em assembleia magna em Fevereiro, de proibir a participação do partido liderado por André Ventura em eventos da AAC e a entrada dos seus membros nas instalações, contou à agência Lusa Jaime Raposo Nunes, do Departamento de Informação da RUC.
O locutor disse que o líder da distrital do partido, Paulo Seco, tinha dado indicação de que o Chega não estaria presente no programa. Contudo, na manhã de segunda-feira, o debate acabou por ser interrompido com a entrada de vários elementos do partido, tendo Rita Matias pegado num dos microfones do estúdio.
Os elementos do Chega, incluindo as duas deputadas, só abandonaram o estúdio quando chegaram três agentes da PSP, disse Jaime Raposo Nunes.
O Movimento Associativo Estudantil (MAE) enviou hoje uma carta ao presidente do Chega, André Ventura, questionando o líder partidário sobre a invasão do estúdio da Rádio Universidade de Coimbra por uma comitiva liderada por duas deputadas do partido.
O MAE, em representação de várias associações académicas e federações, condenou a invasão, considerando que poderá tratar-se de um atentado contra a liberdade de programação e de informação, consagrada na legislação portuguesa.

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